Marta Fernández - Europa Press
MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
Quase metade das pessoas com renda média que vivem na Europa só tem condições de comprar o equivalente a um apartamento de um quarto ou a um estúdio, enquanto 39% dos europeus nem mesmo têm condições de alugar um imóvel desse tamanho, de acordo com um estudo da Universidade Técnica de Viena (TU Wien), na Áustria. O artigo foi publicado na revista especializada “Journal of Maps”.
Os dados revelam a crescente crise no que diz respeito à moradia acessível, sendo que as áreas densamente povoadas, como vilas e cidades, são as mais afetadas.
Os autores da Universidade Técnica de Viena utilizaram dados imobiliários e financeiros de mais de 30 países europeus para identificar áreas críticas onde algumas moradias estão fora do alcance da maioria das pessoas com renda média. As áreas próximas a Paris, Berlim e Madri estão entre as zonas urbanas mais afetadas pela crise de acessibilidade à moradia.
Os resultados mostram que cerca de duas em cada cinco pessoas (44%) da população urbana da Europa vivem em uma cidade onde menos de 50 metros quadrados (aproximadamente o tamanho de um pequeno apartamento de um quarto ou de um estúdio) são acessíveis com uma renda média.
Outra constatação importante é que mais de 70% da população europeia vive em regiões onde uma hipoteca de trinta anos permite adquirir apenas até 75 metros quadrados, novamente com base em uma renda média.
Os mapas também revelam que as áreas turísticas são afetadas, já que proprietários de segundas residências e locatários de curto prazo estão encarecendo o mercado imobiliário, expulsando os moradores locais. “Nosso estudo revela focos de inacessibilidade muito marcantes”, destaca a autora principal, Franziska Sielker, professora de Pesquisa Urbana e Regional no Instituto de Planejamento Espacial da Universidade Técnica de Viena.
Isso aponta para uma grave crise de acessibilidade à moradia que está se formando. Uma crise que já afeta de forma desproporcional aqueles que estão entrando no mercado imobiliário, bem como as pessoas que mudam de residência com frequência, por motivos pessoais ou profissionais. Esse é o caso nas regiões capitais, nos principais centros urbanos, nas zonas costeiras e nas áreas alpinas com alta atividade turística, além da grande escassez de oferta de moradias para aluguel nas zonas rurais. Além disso, os mapas revelam uma crise emergente de acessibilidade, sobretudo se levarmos em conta a maior densidade populacional nas regiões menos acessíveis.
A moradia acessível é um problema que afeta muitos países do mundo. Na Europa, os dados sugerem que os preços das moradias têm aumentado mais rapidamente do que a renda há mais de uma década. Para este estudo, os autores se propuseram a determinar quantos metros quadrados podem ser acessíveis com uma renda média regional.
Os autores basearam sua pesquisa em 22 milhões de anúncios imobiliários coletados pelo projeto ESPON HOUSE4ALL em 30 países. Eles calcularam a área útil acessível com base na renda média regional.
Posteriormente, os dados foram utilizados para criar mapas que mostravam a distribuição geográfica da acessibilidade à moradia em nível municipal. Os mapas incluíam imóveis próprios e alugados, e os autores analisaram a relação entre o tamanho dos imóveis e o preço de venda.
Os resultados mostraram que existem problemas de acessibilidade em quase todos os países analisados. No entanto, alguns apresentam uma ampla gama de níveis de acessibilidade, enquanto a moradia continua fora do alcance tanto de compradores recém-chegados quanto de locatários com renda média. Portugal, Polônia e Países Baixos estão entre os países que o estudo identificou como altamente inacessíveis.
Os centros urbanos são os que mais sofrem as consequências dos altos preços da habitação em relação à renda. Isso ocorre apesar de os níveis de renda serem mais altos do que nas áreas rurais e gera o que os autores descrevem como “efeitos indiretos claramente visíveis” nas regiões vizinhas. Portanto, os pesquisadores afirmam que as regiões metropolitanas são as que mais urgentemente precisam de soluções de política habitacional.
O estudo também revela que a habitação em zonas turísticas populares, como regiões litorâneas e montanhosas, é menos acessível do que em outras áreas. Os pesquisadores sugerem que uma opção de política nessas regiões seria intervir nos mercados de aluguéis de curto prazo e de segundas residências.
Uma limitação do estudo é que ele se baseia em preços de venda aproximados, em vez de preços de venda reais, utilizando dados gerais em nível municipal que não refletem as diferenças entre bairros. Além disso, ele analisa apenas os preços da moradia, sem levar em conta outras barreiras financeiras, como os requisitos de entrada, que também impedem as pessoas de comprar uma casa.
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