Publicado 05/11/2026 08:12

43% dos espanhóis já sofreram violência digital, como assédio ou uso de stalkerware, mas a maioria não reconhece isso

Um close-up de uma pessoa sentada com as pernas cruzadas e segurando um celular sob as luzes
MAGNIFIC

MADRID 5 nov. (Portaltic/EP) -

43% dos espanhóis sofreram pelo menos uma forma de violência digital nos últimos doze meses, no entanto, apenas 29% sabem identificar corretamente o que é esse tipo de violência, relacionada a práticas como o assédio digital ou o uso de “stalkeware”, o que destaca como muitas pessoas podem estar sofrendo comportamentos abusivos “online” sem perceber.

É o que revela a primeira parte do relatório “Invisible Control”, elaborado pela empresa de segurança cibernética Kaspersky, que se baseia em um estudo global sobre violência digital, incluindo práticas como o uso de ferramentas de assédio e a evolução do “stalkeware”.

Especificamente, os resultados do estudo detalham que apenas 29% dos entrevistados na Espanha afirmam conhecer o significado de “abuso facilitado pela tecnologia”, ou seja, violência ou abuso digital. No entanto, na prática, até 43% dos espanhóis afirmam ter sofrido pelo menos uma forma de abuso digital no último ano.

Esse panorama, em que apenas um terço conhece o termo, mas quase a metade já passou por esse tipo de situação, revela uma lacuna de conhecimento que sugere que muitas pessoas podem estar sofrendo formas de violência digital sem terem consciência disso.

Levando em conta os casos de pessoas afetadas pela violência digital, percebe-se que se trata de uma prática que não se limita a incidentes isolados. Globalmente, os resultados do relatório detalham que cada pessoa sofreu, em média, 2,7 tipos distintos de comportamentos abusivos.

Especificamente na Espanha, a ameaça mais frequente são as discussões em chats em grupo, em seções de comentários ou em fóruns, uma situação que se repetiu em 19% dos casos. Além disso, também foram identificadas práticas de bloqueio ou exclusão deliberada de grupos ou espaços sociais com a intenção de causar dano (16%).

Outro tipo de violência digital identificado é a propagação de boatos, mentiras e mensagens que buscam distorcer as informações de uma pessoa. Isso ocorreu em 14% dos casos. Da mesma forma, quase 7% dos espanhóis afirmam ter sofrido assédio digital persistente, conhecido como “digital stalking”, e 4% afirmam ter sido vítimas de “doxing”, ou seja, terem informações pessoais publicadas ou divulgadas sem consentimento.

FERRAMENTAS AVANÇADAS DE VIOLÊNCIA DIGITAL, COMO O “STALKEWARE”

Além dessas práticas, o estudo também aborda o uso de outros métodos mais elaborados. De acordo com os especialistas da Kaspersky Digital Footprint Intelligence (DFI), foi identificado um “ecossistema crescente” de serviços de “doxing” disponíveis na “dark web”, com preços que variam entre 50 e 4.000 dólares (entre cerca de 44 e 3.561 euros, conforme a cotação).

Os especialistas também encontraram ferramentas avançadas de vigilância capazes de rastrear pessoas ou extrair informações pessoais, como é o caso do “stalkeware”. Ou seja, programas, aplicativos e dispositivos que permitem espionar secretamente a vida privada de outras pessoas por meio de seus aparelhos celulares, incluindo pesquisas na web, localização geográfica, mensagens de texto ou fotografias.

Esse tipo de violência digital afeta muitas pessoas. De acordo com os dados coletados pela empresa, entre 2024 e 2025, mais de 34.000 pessoas foram afetadas por um “stalkerware”, elevando para 127.000 o número total de vítimas detectadas nos últimos cinco anos em todo o mundo. Assim, embora afete usuários em mais de 160 países, a Rússia, o Brasil e a Índia foram os mais prejudicados em 2025.

De fato, os especialistas identificaram 33 novas famílias de “stalkerware” até então desconhecidas, o que indica que os agentes maliciosos continuam promovendo uma intensa atividade de desenvolvimento nessa área.

“Como esse software opera em segundo plano e permanece oculto, a maioria das vítimas desconhece completamente que todos os seus movimentos e atividades estão sendo monitorados. Por isso, é fundamental saber identificar esse tipo de atividade e saber como agir caso haja suspeita de que se está sendo alvo de vigilância”, destacou a responsável interina pelo Research Center Americas & Europe da equipe Global Research and Analysis Team (GReAT) da Kaspersky, Tatyana Shishkova.

COMO LIDAR COM O ‘STALKERWARE’

No entanto, a Kaspersky recomendou o uso de ferramentas de segurança confiáveis para detectar possíveis ameaças de ‘stalkerware’, como o Who’s Spying on Me.

Além disso, os especialistas ressaltaram que não se deve remover imediatamente o ‘stalkerware’ caso haja suspeita de sua presença, pois isso poderia alertar o agressor e aumentar o risco para a vítima. Antes de agir, é preciso contar com o apoio de uma organização especializada. Da mesma forma, é recomendável usar um dispositivo seguro para entrar em contato com os serviços de apoio, buscar informações ou comunicar a situação.

No entanto, os usuários devem estar atentos a possíveis sinais de alerta, como consumo anormal da bateria, uso excessivo de dados móveis ou aplicativos instalados que não sejam reconhecidos. Também é útil proteger as contas com senhas únicas e robustas, bem como alterar as credenciais a partir de um dispositivo livre de ameaças.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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