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MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
Trinta e oito por cento das crianças entre 9 e 12 anos de idade com sobrepeso ou obesas sofrem de dores nas pernas e nos pés, de acordo com um estudo clínico realizado pelas universidades de Málaga, Sevilha, Valência e a Universidade Europeia de Madri, em colaboração com o Hospital Universitário Virgen de la Victoria e o Centro de Atenção Primária Arroyo de la Miel, ambos em Málaga.
Especificamente, 27,3% das crianças com sobrepeso sentiram dor em uma ou mais áreas dos membros inferiores, enquanto 10,7% sofreram dor exclusivamente nos pés. Observa-se também que a obesidade atua como um fator de risco significativo para a dor musculoesquelética, especialmente em várias áreas, sendo essa multiplicidade mais comum do que a dor localizada em uma única parte do corpo.
Nesse sentido, o sobrepeso infantil não só afeta a estrutura e a funcionalidade do pé, mas também "tem um impacto negativo na qualidade de vida e limita a participação das crianças em atividades físicas", diz Elena García, especialista em podologia infantil e membro da iniciativa educacional e esportiva COPOAN.
Como ela explica, o excesso de peso altera a fisionomia do pé, achatando-o e reduzindo sua funcionalidade. Isso acontece porque os ligamentos e as articulações suportam uma carga excessiva, enfraquecendo-se progressivamente e dificultando que os pés desempenhem sua função adequadamente.
Além disso, essa deterioração provoca fadiga, desconforto e dificuldade para caminhar, o que pode levar à aversão aos esportes e à adoção de um estilo de vida sedentário. "A falta de funcionalidade do pé não só limita a mobilidade, mas também afeta a autoestima das crianças, que podem se sentir menos competentes em determinadas atividades esportivas, optando por alternativas sedentárias que perpetuam o ciclo da obesidade", diz o especialista.
HÁBITOS SAUDÁVEIS E CALÇADOS ADEQUADOS PARA EVITAR DESCONFORTO
O COPOAN, de acordo com uma pesquisa realizada pelas universidades de Potsdam (Alemanha) e pela Universidade de Ciências Aplicadas, Saúde e Fisioterapia de Berna (Suíça), que analisa a carga sobre o pé e como prevenir a dor e o desconforto nos membros inferiores durante a infância, defende uma dieta equilibrada, atividade física regular e, acima de tudo, o uso de calçados adequados para prevenir o desconforto.
Em termos de calçados, ela aconselha o uso de sapatos com sola larga e apoio adequado, com espaço suficiente na ponta do pé para que os dedos se movimentem confortavelmente e para que os músculos internos do pé se desenvolvam corretamente. Além disso, a sola deve ser fina e flexível, "o que permite que o sistema nervoso, em pleno desenvolvimento, melhore a funcionalidade do pé", detalha García, que, por outro lado, esclarece que o contraforte deve ser inexistente para favorecer que o tornozelo permaneça firme por conta própria.
No caso dos calçados esportivos, o especialista ressalta que eles requerem atenção especial, pois cada modalidade tem suas próprias necessidades devido aos movimentos e superfícies específicos em que é praticada.
Por outro lado, García afirma que o estudo da pisada em uma idade precoce pode ser fundamental para identificar possíveis problemas estruturais nos membros inferiores e antecipar complicações futuras. Assim, aspectos como a postura, a distribuição correta do peso e a prática de exercícios físicos desempenham um papel essencial para garantir que os pés permaneçam saudáveis ao longo do tempo, acrescenta.
Por fim, o especialista conclui que a detecção precoce, juntamente com medidas adequadas, "permite que as crianças desfrutem de uma vida ativa sem limitações, pois os pés cuidados desde a infância podem fazer uma diferença significativa no bem-estar físico geral, garantindo um desenvolvimento ideal e prevenindo problemas musculoesqueléticos no futuro".
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