Publicado 10/10/2025 06:41

33% dos profissionais de saúde na Europa têm sintomas de depressão ou ansiedade, segundo o relatório

Archivo - Arquivo - Sala de cirurgia.
SANTYPAN/ ISCTOK - Arquivo

MADRID, 10 out. (EUROPA PRESS) -

Um em cada três profissionais de saúde na Europa apresenta sintomas de depressão ou ansiedade, de acordo com os resultados do relatório MeND (Mental Health of Nurses and Doctors), o maior estudo realizado até hoje sobre a saúde mental e o bem-estar de enfermeiros e médicos na Europa.

O relatório, que foi preparado pela área de Saúde Mental do Centro de Investigação Biomédica em Rede (CIBERSAM) em colaboração com a Universidade Autônoma de Madri (UAM), foi apresentado nesta sexta-feira, coincidindo com o Dia Mundial da Saúde Mental, em um evento virtual organizado pela OMS/Europa.

O estudo foi liderado por José Luis Ayuso Mateos, pesquisador principal do CIBERSAM, professor de Psiquiatria e diretor do Centro Colaborador da OMS para Pesquisa e Ensino em Serviços de Saúde Mental, juntamente com Roberto Mediavilla, pesquisador do mesmo grupo.

A pesquisa MeND foi realizada entre outubro de 2024 e abril de 2025 na União Europeia, Islândia e Noruega, e coletou mais de 120.000 respostas de profissionais de saúde, das quais 90.171 eram válidas. De acordo com o CIBERSAM, essa é a pesquisa mais abrangente realizada nesse campo até o momento, usando ferramentas científicas validadas para avaliar a saúde mental e analisar sua relação com fatores sociodemográficos e ocupacionais.

"Os resultados revelam uma situação preocupante que não pode ser ignorada", diz o professor Ayuso. Além dos dados já destacados, o estudo mostra que 3% dos funcionários participantes apresentam sinais de provável dependência de álcool e que mais de 10% já tiveram pensamentos de suicídio ou automutilação. Além disso, a prevalência de depressão é até cinco vezes maior do que na população em geral.

UM EM CADA TRÊS JÁ SOFREU ASSÉDIO OU AMEAÇAS NO TRABALHO.

Observa-se também que uma em cada três pessoas sofreu assédio ou ameaças no trabalho no último ano, uma em cada dez foi vítima de violência física ou assédio sexual e um em cada quatro profissionais da área médica trabalha mais de 50 horas por semana, fatores que aumentam significativamente o risco de problemas de saúde mental.

O relatório também identifica fatores de proteção no ambiente de trabalho. As pessoas que recebem apoio social frequente de colegas e supervisores apresentam metade dos sintomas de depressão ou ansiedade do que aquelas que não recebem esse apoio. Além disso, ter autonomia na organização do trabalho, manter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional e ter medidas de prevenção de violência em vigor estão associados a uma menor prevalência de sofrimento psicológico.

A apresentação, que facilitou a discussão sobre medidas políticas para melhorar as condições dos profissionais de saúde e assistência nos 53 países cobertos pelo escritório europeu da OMS, concluiu que a proteção da saúde mental da equipe é essencial. Foi destacado que esse também é um aspecto essencial para a sustentabilidade dos sistemas de saúde europeus.

Nesse sentido, o relatório propõe a implementação de uma política de tolerância zero em relação à violência, ao assédio e ao bullying no trabalho; a melhoria da previsibilidade e da flexibilidade dos turnos; o gerenciamento adequado das horas extras e das cargas de trabalho; o fortalecimento da liderança e do gerenciamento emocional do setor de saúde; a disponibilidade de recursos para apoio psicológico e prevenção de vícios; e o monitoramento regular do bem-estar e das condições de trabalho do pessoal de saúde.

"Proteger a saúde mental daqueles que cuidam da população é essencial para garantir o futuro da saúde na Europa", conclui José Luis Ayuso.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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