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MADRID, 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que há uma mudança de “prioridades” no contexto dos combates com a Rússia durante a invasão da Ucrânia, mas ressaltou que a linha de frente está praticamente estática e que, portanto, a luta entre as tropas de ambos os países “se concentra no ar”.
“A guerra está mudando. Hoje, a paz e a vitória estão do lado daqueles que são mais espertos. É muito difícil para nós, mas nossos militares conseguiram conter o combate na linha de contato com o próprio sacrifício. A guerra continua, mas a linha de frente já não se move. Quando a linha de frente mal se move e o inimigo não consegue avançar por mar, tudo fica nas mãos do que acontecer no ar”, explicou.
Nesse sentido, ele destacou que houve uma mudança nas “prioridades” durante a guerra. “A luta está no ar, e lá somos muito competitivos”, afirmou ele em entrevista ao jornal ‘Financial Times’. “Há uma incógnita nessa equação e, infelizmente, essa é a defesa antiaérea, que é um grande problema. Não estávamos preparados, não tínhamos nenhum programa desse tipo, nenhum legado soviético nesse sentido”, acrescentou.
“Tudo isso foi para Moscou e na Ucrânia não sobrou nada. Não temos armas nucleares e, sem elas, não fazemos parte desse clube, mas sim do clube daqueles que podem ser atacados”, lamentou, antes de enfatizar que, se os parceiros da Ucrânia “não a abandonarem em termos de financiamento”, então o país “poderá lutar no ar”.
“Esse será um fator crucial nesta guerra. Quem for mais esperto será mais forte, e será esse que vencerá”, afirmou Zelenski, que destacou a importância dos ataques contra o território russo: “quando nossos ataques não atingiam Moscou e São Petersburgo, (Vladimir) Putin não dava muita importância a isso, achava que a guerra estava longe”.
“É claro que, agora que viu o que está acontecendo, ele começou a entender o que ocorre em Kursk, Belgorod e Bryansk. Agora ele começará a entender a realidade da situação”, afirmou. “Agora ele teme pela própria vida, e depois vêm as elites. Onde vivem as elites russas? Em Moscou e São Petersburgo. Esses lugares serão atingidos porque é lá que se toma a decisão de nos matar”, disse ele.
OPERAÇÃO NA CRIMÉIA
Sobre a operação militar lançada contra a Crimeia, que foi anexada pela Rússia em 2014, o presidente ucraniano indicou que esses ataques incluíram o uso de mísseis de médio alcance para “colocar sob controle o setor energético”. “Demonstramos o que significa controlar as operações aéreas em um momento específico”, argumentou. “Buscávamos retardar a militarização dessa península, que é nossa e está ocupada pela Rússia”, acrescentou.
“Depois de Novorossiysk, nos concentramos na Crimeia, onde realizamos inúmeros ataques seletivos contra o setor energético e a infraestrutura portuária russa, justamente porque é lá que eles obtêm lucros que depois investem em bases militares e na produção bélica”, declarou.
Além disso, ele afirmou que “as empresas russas começaram a compreender que não venceria a guerra” porque “estão perdendo tempo e dinheiro e, francamente, perderão a esperança, pois muitas delas esperavam nos derrotar”.
“Quando milhares de drones começarem a chegar a Moscou, e quando ele (Putin) sentir e ver isso, será aconselhado a se mudar para além dos Urais. Esse será o momento em que se abrirá um novo capítulo para pôr fim à guerra. Quanto mais longe Putin estiver de Moscou, mais próximo estará o fim da guerra e a paz”, destacou.
“É por isso que os ataques desse tipo são os que causam maior impacto. Temos que continuar trabalhando nisso. É um trabalho constante, difícil e diário. Devemos manter o foco e a energia, embora os heróis sejam aqueles que estão na linha de frente. Todos os demais, o Estado, devemos continuar fornecendo a eles o que precisarem. Ao fazer isso, traremos uma paz justa e forte para a Ucrânia”, concluiu.
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