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MADRID 21 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, rejeitou nesta segunda-feira a retirada das tropas ucranianas da linha de frente do Donbass, conforme, segundo ele, lhe teria sido recomendado por líderes norte-americanos — embora Washington tenha negado —, e classificou esses líderes como “desrespeitosos” por terem viajado para Moscou antes de irem a Kiev.
Em entrevista à emissora privada ucraniana ICTV, o líder ucraniano se recusou a seguir as referidas diretrizes que atribuiu a Washington — negadas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, no final de março —, segundo as quais o governo de Donald Trump o teria instado a ceder território diante do avanço russo no Donbass, especialmente na região de Lugansk, onde a Ucrânia controla uma pequena parte do território. “A Rússia quer que abandonemos Lugansk. Sem dúvida, isso seria uma derrota estratégica para nós. Isso nos tornaria mais fracos”, afirmou Zelenski na entrevista.
“Quando os Estados Unidos nos indicam que é possível construir novas linhas de defesa, respondemos que sim, é possível, mas que leva tempo. Mas por que deveríamos fazer isso? As áreas urbanas são mais adequadas”, afirmou o líder ucraniano, que reconheceu a intenção da Casa Branca de manter a comunicação aberta, embora tenha ressaltado que o Kremlin não tem qualquer vontade de pôr fim à guerra.
Nesse contexto, ele quis apontar uma “irresponsabilidade” das autoridades diplomáticas dos Estados Unidos ao ser questionado sobre uma possível visita do enviado presidencial, Steve Witkoff, e do genro e assessor do próprio presidente, Jared Kushner: “Acho que eles precisam mais dessa visita do que nós, porque é desrespeitoso ir primeiro a Moscou e depois a Kiev”, criticou Zelenski.
Quanto ao lado russo, ele acusou o Kremlin de insistir em continuar o conflito em vez de detê-lo nas posições atuais e dialogar, instando Moscou a estabelecer relações diplomáticas com Kiev. “Essa é a maneira mais rápida de acabar com o massacre. É isso que queremos. Primeiro, vamos acordar um cessar-fogo duradouro que ponha fim ao conflito e, depois, estabelecer objetivos diplomáticos”, argumentou.
As declarações do presidente ucraniano contrastam com a confiança manifestada em 10 de abril pelo chefe de seu gabinete, Kirilo Budanov, quanto à possibilidade de se chegar em breve a um acordo de paz com a Rússia, uma vez que as partes compreendam “claramente os limites do que é aceitável”, após várias negociações fracassadas em que se exigiam o máximo.
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