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MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, enviou uma carta aberta ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, na qual propõe organizar um encontro cara a cara para chegar a um acordo de paz que ponha fim à guerra, tendo a atual “linha de frente” como ponto de partida.
“Há países que tradicionalmente têm acolhido líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia, os países do mundo árabe, muitos são capazes e estão dispostos a organizar uma reunião desse tipo (...) Proponho fixar uma data clara para tal reunião”, indicou o mandatário ucraniano.
Zelenski afirmou que “outros participantes poderiam se juntar à via bilateral”, embora tenha deixado claro que “a Europa deveria fazer parte desse processo”, já que os países europeus “realmente têm a capacidade de influenciar a situação”.
"Visto que a guerra está ocorrendo na Europa, e visto que a Ucrânia precisa de garantias de segurança, enquanto você também busca garantias de segurança para si mesmo, seria lógico envolver aqueles que realmente podem servir como garantes", defendeu na carta dirigida ao seu homólogo russo.
Da mesma forma, colocou em discussão a participação dos Estados Unidos, referindo que esta poderia “ajudar a moldar uma nova arquitetura de segurança para a nossa parte do mundo”. “A linha de frente hoje é a linha a partir da qual a diplomacia deve começar”, afirmou.
Zelenski afirmou que Kiev “está pronta para um cessar-fogo total durante as negociações”. “Trata-se de uma prática habitual, e os acontecimentos atuais em torno do Irã apenas reforçam esse ponto. Uma tentativa de estabelecer um silêncio real é a melhor maneira de começarmos a dialogar entre nós”, argumentou.
Nesse sentido, ele exortou Putin a “chegar pessoalmente à conclusão de que é hora de pôr fim a esta guerra” ou, caso contrário, Kiev “continuará lutando por sua existência”. “Teremos quem nos apoie, mas você também terá que lutar muito mais pela sua própria existência; não a da Rússia, mas a sua. E isso não é uma ameaça minha ou da Ucrânia. É um fato da história russa que você conhece bem: quando a Rússia se cansa, chega a mudança”, disse ele.
Por outro lado, Zelenski afirmou que “a Ucrânia preservou sua independência” e que “a preservará apesar de todas as previsões em sentido contrário”. “Você não esperava uma resistência em grande escala por parte da Ucrânia e não previu que as coisas chegariam tão longe. No entanto, aqui estamos todos, no quinto ano desta guerra em grande escala. Não tenha medo de sair desta guerra. Isso é o principal que se exige de você agora”, explicou na carta.
“Levamos a guerra ao seu território, e vocês não teriam conseguido enfrentá-la sem a ajuda da Coreia do Norte. Você é o primeiro governante da Rússia a recorrer a Pyongyang em busca de ajuda. E hoje vocês dependem totalmente da China, também pela primeira vez na história da Rússia”, alegou.
Além disso, Zelenski questionou as pretensões de Putin de gerar um “mal-estar interno” na Ucrânia, aludindo ao fato de que foram suas próprias forças militares “as que organizaram um motim” em junho de 2023, quando o Grupo Wagner se rebelou contra as autoridades.
"Você passou quase metade dos seus 26 anos no poder na Rússia travando uma guerra contra a Ucrânia. Diga o que disser sobre a OTAN, a geopolítica ou a língua russa, esta guerra é uma escolha pessoal: uma guerra sem uma causa real. É assim que a história vai se lembrar disso”, argumentou o presidente.
Zelenski afirmou que a população russa “está ficando cada vez mais incomodada” com a realidade da guerra e com o fato de que o conflito “está trazendo cada vez mais consequências negativas para a Rússia. "Eles não gostam dos nossos drones e mísseis; nem gostam da escassez de gasolina e dos preços em constante aumento; não gostam das restrições constantes", observou.
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