Yuliia Ovsiannikova / Zuma Press / Europa Press
Kravchenko anuncia que aprovou acusações contra o chefe do Escritório Nacional Anticorrupção após este ter renunciado na semana passada
MADRID, 14 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pediu nesta segunda-feira aos parlamentares que apoiem “o mais rápido possível” a destituição do procurador-geral, Ruslan Kravchenko, que renunciou na semana passada e revelou hoje que aprovou acusações contra o diretor do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU, na sigla em inglês).
“Só há um caminho para esse procurador-geral: sua saída do cargo. Foi o que eu disse a ele”, afirmou Zelenski em uma mensagem nas redes sociais. “A Ucrânia viu todas as razões para isso. Se ele considera que isso é pressão política, está à vontade para chamá-la assim. Peço aos parlamentares que apoiem sua destituição o mais rápido possível”, ressaltou.
Apenas alguns minutos antes, Kravchenko havia indicado, em um vídeo publicado nas redes sociais, que havia aprovado acusações contra o diretor da NABU, Semen Krivonos, por suposta “falsificação de documentos oficiais para obter grandes lucros ilícitos”, além de publicar os documentos com as acusações que lhe foram imputadas.
Kravchenko indicou que também aprovou acusações contra uma pessoa próxima ao chefe do Ministério Público Especializado no Combate à Corrupção (SAPO), Oleksander Klimenko, sem revelar sua identidade, ao mesmo tempo em que ressaltou que “até agora estava politicamente limitado na hora de tomar essas decisões, por parte do presidente e das autoridades anticorrupção”.
“Prometi não agir por conveniência política e não evitar uma decisão exigida pela lei e pelas provas”, destacou o procurador-geral, que insistiu que por trás de suas palavras “há fatos e provas” e exigiu que Krivonos e Klimenko “renunciem hoje, sem envolver órgãos e equipes em um conflito pessoal durante a luta por si mesmos e seu círculo próximo”.
Nesse sentido, ele enfatizou que “o diretor da NABU também deveria explicar como enganou uma comissão internacional ao convencê-la de sua integridade, tendo um histórico ‘maravilhoso’ com uma adoção fictícia de uma criança e casos de suborno”, conforme relatado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.
Kravchenko argumentou ainda que a NABU e a SAPO não estão focadas no combate à corrupção, mas “em se transformar em um centro independente de poder político, não eleito pelo povo ucraniano e que não assume responsabilidades políticas”. “Ela tenta se colocar no lugar do Parlamento e do presidente em uma república parlamentar e presidencial”, afirmou.
Por fim, ele destacou que esses órgãos lançaram a operação anticorrupção “Cartago” — focada em uma rede liderada por altos funcionários do Ministério Público que supostamente recebiam propinas para dar proteção a centrais de atendimento envolvidas em fraudes — para obter acesso aos processos contra altos funcionários de ambos os órgãos e interromper essas investigações.
O caso “Cartago” é justamente o que levou Kravchenko a apresentar sua renúncia em 7 de setembro, depois que a NABU e a SAPO anunciaram o desmantelamento de uma organização criminosa liderada pelo chefe de uma das divisões do Ministério Público, que supostamente recebia subornos de forma sistemática de centrais de atendimento fraudulentas e lavava os fundos obtidos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático