MADRID 8 jul. (EUROPA PRESS) -
Os presidentes da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e da Polônia, Karol Nawrocki, se reuniram nesta quarta-feira pela primeira vez, depois que, há algumas semanas, suas divergências recorrentes sobre como lidar com sua memória histórica comum voltaram a ser motivo de disputa, a ponto de o líder ucraniano ter tido retirada a Ordem da Águia Branca, a maior condecoração concedida pelo Estado polonês.
Zelenski destacou que a conversa entre os dois, realizada à margem da cúpula da OTAN que acontece esta semana em Ancara, capital da Turquia, foi “importante e necessária” diante dos últimos acontecimentos. “Conversamos por mais de uma hora”, informou o chefe de Estado ucraniano.
“A ameaça que enfrentamos é única e comum: a Rússia. E é muito importante manter a compreensão mútua, o apoio e agir unidos. Nossos países precisam apenas de relações sólidas. Combinamos dar continuidade ao diálogo”, afirmou Zelenski em uma mensagem nas redes sociais, onde compartilhou imagens do encontro com Nawrocki.
Nessa linha, o presidente polonês também se manifestou, enfatizando que, apesar das “questões históricas complexas e ainda não resolvidas”, é fundamental que Kiev e Varsóvia mantenham a cooperação e o diálogo diante da ameaça que compartilham, que não é outra senão Moscou.
“O que, sem dúvida, não mudou é que a Rússia continua sendo a principal ameaça tanto para a Ucrânia quanto para a Polônia. No que diz respeito às ameaças à nossa independência, olhamos na mesma direção; isso não mudou”, afirmou.
No entanto, ele esclareceu que a reunião desta quarta-feira na capital turca não serviu, embora também não tivessem previsto isso, para resolver esses “problemas históricos”, que voltaram à tona nas últimas semanas após uma unidade militar ucraniana ter recebido o nome de “Heróis da UPA”, que faz alusão a uma milícia acusada na Polônia de cometer massacres durante a Segunda Guerra Mundial.
Nawrocki confirmou que, para os ucranianos, “as questões relacionadas à UPA e seus símbolos são inegociáveis”, assim como, para os poloneses, “as emoções” que suscita o “genocídio” cometido por essa milícia ultranacionalista nos territórios da Polônia ocupados pela Alemanha nazista.
Nesse sentido, Nawrocki destacou que, ciente de que se trata de um tema “tão importante” para a Polônia, confia que a Ucrânia compreenda que exaltar certas figuras também limita seu futuro na União Europeia, além de acarretar “muitas conotações negativas”, aludindo à figura controversa de Stepan Bandera.
Apesar de tudo, e depois que ambas as partes reafirmaram suas posições iniciais, o presidente polonês também concordou com seu colega ucraniano ao afirmar que foi uma reunião “construtiva”, segundo informa a agência de notícias PAP.
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