Publicado 15/02/2026 00:29

Zelenski exige em Munique garantias de segurança “reais” como passo prévio para uma paz “verdadeira” e “digna”.

Archivo - Arquivo - 19 de dezembro de 2025, Varsóvia, Varsóvia, Polônia: Varsóvia, 19/12/2025. Reunião do primeiro-ministro Donald Tusk com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Europa Press/Contacto/Igor Jakubowski - Arquivo

MADRID 15 fev. (EUROPA PRESS) -

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, agradeceu neste sábado o apoio europeu — especialmente da Alemanha, Noruega e Países Baixos — à sua capacidade de defesa aérea e defendeu que a “unidade é a melhor defesa contra os planos agressivos da Rússia”, sublinhando a importância de contar com “garantias de segurança sólidas” para evitar que Moscou “consiga o que quer”. Aos olhos de Kiev, o presidente russo, Vladimir Putin, tornou-se um “escravo da guerra” que não desistirá da agressão sem uma resposta firme e unida. Foi o que afirmou o próprio Zelenski durante a Conferência de Segurança de Munique, onde enfatizou a adoção de garantias de segurança “sólidas e vinculativas” para seu país e para a Europa antes de fechar qualquer acordo que ponha fim à invasão russa.

Pressionado pela urgência do atual contexto bélico, o líder ucraniano denunciou que o Kremlin continuará explorando qualquer fissura na unidade ocidental e sustentou que a paz só será duradoura se for construída sobre um sistema claro de defesa coletiva. Quatro anos após o início da invasão em grande escala, Zelenski descreveu um cenário de bombardeios semanais massivos. A Rússia lança ataques combinados com numerosos mísseis balísticos e drones contra infraestruturas críticas, em particular centrais elétricas. “Não resta uma única central elétrica que não tenha sido atingida”, ilustrou; embora tenha salientado posteriormente que o sistema elétrico continua a funcionar graças à proteção física das instalações e ao reforço da defesa antiaérea.

TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA DA GUERRA Por outro lado, o político ucraniano também alertou para a rápida transformação tecnológica que ocorreu — e continua ocorrendo — no contexto da invasão russa, colocando em destaque os drones “shahed” fornecidos pelo Irã.

Nesse sentido, ele enfatizou que, no início, eles eram relativamente fáceis de interceptar, enquanto agora podem incorporar “motores a jato, voar em diferentes altitudes, ser guiados em tempo real e até mesmo utilizar sistemas como o Starlink para atingir objetivos com maior precisão”.

Nesse contexto, ele criticou a falta de reação internacional em relação ao regime iraniano, ao qual atribuiu a responsabilidade de “alimentar” a capacidade ofensiva russa. Ele lembrou que a Ucrânia não mantém disputas históricas com Teerã, mas que os drones vendidos a Moscou estão causando mortes e destruição em seu território.

Em sua opinião, a comunidade internacional deve agir com rapidez e unidade diante de regimes que exportam instabilidade, da mesma forma que deveria ter respondido antes, por exemplo, às agressões russas na Geórgia e na Síria ou após a anexação da Crimeia em 2014.

UNIDADE: A MELHOR DEFESA Assim sendo, Zelenski insistiu que nenhum país europeu seria capaz de se defender sozinho em uma guerra em grande escala. “Nenhum país da Europa poderia depender apenas de sua própria tecnologia e recursos para se defender em uma guerra em grande escala. Ninguém se defenderia sozinho”, acrescentou, antes de alertar que a Rússia está tentando “romper a unidade (...) entre todos nós, nossa unidade com vocês, a unidade na Europa, a unidade na comunidade euro-atlântica”. “Eles querem rompê-la. Por quê? Porque nossa unidade é a melhor defesa contra os planos agressivos da Rússia. A melhor. E ainda a temos. E quero agradecer a todos vocês, que mantêm viva a unidade e a fortalecem. Nossa unidade é o que nos protege”, afirmou o presidente ucraniano. Chegados a este ponto, Zelenski enfatizou que um dos principais obstáculos para pôr fim ao conflito é que “a Rússia ainda tem cúmplices”, entre os quais se destaca o regime iraniano, que “contorna as sanções e fornece componentes para armas e mísseis russos”.

“A Ucrânia não faz fronteira com o Irã. Nunca tivemos um conflito de interesses com o regime iraniano. Mas os drones iranianos 'shahed' que venderam à Rússia estão matando nosso povo e destruindo nossa infraestrutura. O regime iraniano já causou, e ainda pode causar, mais danos do que muitos outros regimes em um século. E, no entanto, esse regime continua existindo”, lamentou. Em relação às negociações, ele criticou o fato de a Europa estar pouco representada na mesa de negociações e afirmou que a paz não poderá se basear em concessões unilaterais da Ucrânia.

“O essencial é que, dentro de quatro anos, o mundo não tenha que se justificar novamente”, concluiu, antes de afirmar que a Ucrânia está disposta a selar um pacto que garanta “garantias reais de segurança” e “uma paz digna”. “Para a Ucrânia e para a Europa”, matizou, ao mesmo tempo que reclamou que a atenção e a determinação internacionais não cheguem tarde demais. “Por favor, prestem atenção à Ucrânia. Se isso tivesse acontecido antes, esta guerra não teria começado”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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