Europa Press/Contacto/PRESIDENT OF UKRAINE
MADRID, 1 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, indicou que espera que o secretário de Estado dos Estados Unidos e os principais negociadores de Washington para a guerra na Ucrânia — o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner— viajem nas próximas duas semanas para a capital ucraniana, Kiev, para dialogar sobre as negociações para o fim da guerra com a Rússia.
“Espero que encontrem uma maneira de vir em duas semanas. Pelo menos, recebi essa mensagem do meu grupo de negociação”, declarou Zelenski em resposta às perguntas da apresentadora do programa da emissora americana CBS “Face the Nation”, Margaret Brennan.
No entanto, ele estimou que tal visita está condicionada à situação no Oriente Médio: “Me disseram (seus negociadores) que tiveram contato com Steve e Jared, e que estão dispostos a vir à Ucrânia e dialogar, se, é claro, se, sempre se”, lamentou, antes de esclarecer que “hoje, ‘se’ significa Oriente Médio”.
Nesse sentido, o presidente ucraniano destacou que as negociações para pôr fim à guerra entre os Estados Unidos e o Irã são uma “prioridade” para a Casa Branca, o que teria provocado, segundo ele, “pausas” nas “negociações diplomáticas” da Ucrânia.
“Mas acho que precisamos que o grupo de negociação americano visite a Ucrânia”, disse ele. “Eles nunca estiveram aqui. Acho que é importante, não (apenas) para nós. É útil para que eles entendam, para que vejam, para que vejam as pessoas, que a vida delas continua, mas que queremos acabar com esta guerra”, destacou, apontando “deter a Rússia” como o objetivo da hipotética visita americana.
Nesse sentido, Zelenski destacou que os negociadores americanos “já estiveram várias vezes em Moscou”. “Se querem ir a Moscou desta vez, têm que vir primeiro a Kiev e depois a Moscou”, reclamou a Washington, alegando que tal roteiro “será útil”.
De qualquer forma, o presidente defendeu como o melhor “formato de negociação mais forte e poderoso” que os Estados Unidos, a Ucrânia, a Europa e a Rússia se sentassem à mesa de negociações, embora tenha reconhecido uma “terceira via” para a qual se mostrou “preparado”: reunir-se ele próprio com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
No entanto, ele afirmou que, para avançar nas conversas, são necessárias “mais sanções” e “mais pressão” para que o Kremlin “esteja pronto para o diálogo”.
ACUSA A RÚSSIA DE TREINAR CRIANÇAS UCRANIANAS PARA A GUERRA
Na mesma entrevista, o presidente da Ucrânia, após afirmar que a Rússia “sequestrou” “cerca de 20 mil” crianças, alertou que “talvez sejam mais”.
“Durante todos esses anos, recuperamos apenas 2.200. É 10% do número total de crianças que conhecemos. Mas acredito que haja milhares de crianças que ainda não identificamos, então isso é um grande problema”, destacou, antes de lamentar não ter uma ideia de “como os russos estão dispostos a devolver essas crianças”.
Além disso, ele afirmou que Moscou propôs “trocar crianças por soldados”. “Você consegue imaginar como poderíamos trocar nossos filhos?”, questionou, ressaltando que, “para começar, isso é ilegal”. “Não podemos trocar civis; você pode devolver civis”, esclareceu, argumentando que “é importante resgatar nossos soldados, nossos prisioneiros de guerra, mas não podemos trocá-los por crianças”.
“Mas o fato de a Rússia ter proposto trocar crianças demonstra que roubaram crianças. Espero que o Congresso (dos Estados Unidos) encontre uma maneira de impor sanções aos russos por esse assunto”, afirmou, garantindo que Kiev manteve conversas “com congressistas muitas vezes sobre isso” e que espera que “dêem esse passo”.
Nesse sentido, e após afirmar que a Ucrânia precisa de “mais ajuda” de Washington para “recuperar milhares de crianças”, ele alertou que se está “perdendo tempo” enquanto ocorrem “exemplos terríveis”, como “quando essas crianças crescem e empurram esses jovens para o campo de batalha”, ressaltou, defendendo ter “provas” e “exemplos” a esse respeito.
“Eles ensinam essas crianças a odiar seu país, a odiar seu povo”, declarou, convidando a entrevistadora a “imaginar jovens ucranianos, rapazes, indo para o campo de batalha e matando outros ucranianos”. “Eles utilizam todos os meios para destruir a Ucrânia e os ucranianos”, afirmou em relação às autoridades russas, acrescentando que “utilizam crianças” e que também “dividem as famílias, ou seja, separam os irmãos (...) e os transferem para famílias diferentes”.
O retorno de menores ucranianos deportados para a Rússia tem sido uma das principais reivindicações no processo de negociação e também por parte de terceiros. De fato, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exigiu em maio que o retorno das crianças ucranianas deportadas para a Rússia fosse uma “condição central” em qualquer negociação de paz entre Kiev e Moscou, enquanto os Vinte e Sete aprovaram, no mesmo dia, sanções contra 23 pessoas e entidades responsáveis pela transferência forçada de 20.500 crianças ucranianas para a Rússia no contexto da guerra, denunciando que elas são submetidas a doutrinação ideológica e militarização com o objetivo de apagar sua identidade nacional ucraniana.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático