Helmut Fohringer/APA/dpa - Arquivo
O presidente exige que se assumam responsabilidades e ressalta que “os disparos só são permitidos contra os ocupantes russos”
MADRI, 3 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, criticou veementemente o tiroteio “absolutamente vergonhoso” ocorrido na quarta-feira entre agentes de dois serviços de inteligência e segurança na capital, Kiev, um incidente que resultou em pelo menos três feridos, ao mesmo tempo em que ressaltou que “só é permitido atirar contra os ocupantes russos”.
Zelenski informou que já entrou em contato com o procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, para tratar do tiroteio entre membros do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e da Direção Principal de Inteligência (GUR), ao mesmo tempo em que prometeu que o órgão “esclarecerá todos os detalhes”.
“Todos os depoimentos e declarações dos envolvidos neste incidente serão verificados, e a situação será investigada minuciosamente”, afirmou o presidente, que enfatizou que “deve haver prestação de contas, incluindo as decisões relativas ao pessoal tomadas pelos chefes dos serviços especiais, no que diz respeito aos envolvidos no ocorrido”.
“Devem ser realizadas investigações internas em ambos os serviços. Na Ucrânia, só é permitido atirar contra ocupantes russos, em defesa da Ucrânia”, ressaltou o presidente ucraniano. “Nosso Estado jamais considerará aceitável qualquer outro tipo de confronto armado”, concluiu.
De acordo com informações coletadas pelo jornal ucraniano “The Kyiv Post”, o tiroteio eclodiu na madrugada desta quarta-feira durante uma operação do SBU em frente à residência de Stepan Kaplunov, subcomandante do Corpo de Voluntários Russos (RVC), uma unidade paramilitar que luta ao lado de Kiev — e sob o comando do GUR — na guerra desencadeada em fevereiro de 2022 pela ordem de invasão assinada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O Ministério Público da Ucrânia indicou em um comunicado nas redes sociais que “durante as ações de investigação sobre um ato terrorista do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), ocorreu um ataque armado contra agentes do SBU”, antes de acrescentar que “um grupo de indivíduos armados” abriu fogo contra os agentes, após ter sido denunciado o sequestro de Kaplunov no dia 23 de agosto.
“Eles tentaram impedir as investigações e bloquearam a passagem dos oficiais e de seus veículos”, afirmou, antes de acrescentar que a situação resultou em um tiroteio que deixou “feridos entre as pessoas que ofereceram resistência”. “Os agressores foram detidos”, especificou.
“As primeiras investigações permitiram determinar que os detidos pertencem a uma das unidades das Forças de Defesa da Ucrânia”, confirmou, ao mesmo tempo em que enfatizou que “todas as circunstâncias do incidente, o papel de cada um dos participantes e a qualificação jurídica de suas ações estão sendo apuradas”. “As investigações continuam em andamento”, acrescentou.
O SBU já havia informado na manhã desta quarta-feira que havia frustrado um “ataque terrorista” dos serviços secretos russos contra “um dos líderes do movimento nacionalista de oposição russo que chegou à Ucrânia por ocasião do Dia da Independência”, comemorado em 24 de agosto, um dia após o suposto sequestro de Kaplunov, um caso sobre o qual, até o momento, não foram divulgados detalhes.
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