Europa Press/Contacto/Zhao Dingzhe
HAIA, 24 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenski pediu um aumento geral no investimento em defesa na Europa e considerou que o limite a ser acordado na cúpula dos líderes da OTAN de 5% do PIB é "o nível certo", acrescentando que os países aliados também deveriam ser capazes de reservar pelo menos 0,25% para ajuda específica à Ucrânia.
Esse investimento, disse ele, é fundamental para "deter (o presidente russo Vladimir) Putin agora e na Ucrânia", já que os relatórios de inteligência aumentam os temores de "novas operações militares (russas) nos países da OTAN", como ele disse em um fórum do setor na terça-feira, às margens da cúpula dos líderes da OTAN em Haia, na Holanda.
Nesse sentido, ele enfatizou que Putin rejeitou "todas as propostas de paz" apresentadas até o momento, inclusive as dos Estados Unidos, na medida em que o líder russo parece "ligar sua sobrevivência política à sua capacidade de continuar matando". "Quanto mais ele mata, mais ele vive", resumiu Zelenski em seu discurso.
Até o momento, "não há sinais" de que o líder russo esteja disposto a "parar a guerra", por isso Zelenski pediu mais medidas de apoio e alertou sobre um possível conluio indireto com Moscou, pois ele acredita que nenhuma das grandes armas russas seria produzida sem componentes de outros países, incluindo países europeus e a Aliança Atlântica.
"Isso precisa acabar. Esses componentes estão em todos os mísseis da Rússia, na maioria de seus drones e em seus veículos militares", disse Zelenski durante um discurso, observando que cada peça que acaba no armamento russo "contribui para prolongar a guerra" e representa uma "ameaça" à segurança coletiva. Ele esperava que o "potencial de defesa" de outros países fosse usado para a paz, "não para as loucuras da Rússia".
APOIO DA NATO E DA UE
A agenda de Zelenski em Haia inclui uma intensa rodada de contatos, apesar de a Ucrânia não ser membro da OTAN. Entre os primeiros líderes a recebê-lo estavam o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, e os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho, Ursula von der Leyen e António Costa.
Em uma reunião quadripartite, os quatro líderes discutiram formas de a UE e a OTAN continuarem a apoiar a Ucrânia, de acordo com fontes da UE. O próprio Costa enfatizou, antes da reunião, que a invasão russa "continua sendo uma grande ameaça à paz global".
O presidente do Conselho reiterou sua "profunda decepção" com o fato de Moscou ainda não ter concordado com um cessar-fogo e, em vez disso, ter "aumentado ainda mais a intensidade de sua agressão", como evidenciado pelo bombardeio quase diário do território ucraniano.
"De nossa parte, continuaremos a dar total apoio à Ucrânia e a pressionar a Rússia com sanções", confirmou Costa, que apontou as negociações já em andamento para o décimo oitavo pacote de punições. Ele também apelou para o "futuro comum" que coloca a Ucrânia dentro da UE, elogiando o "trabalho impressionante" já realizado em termos de reformas e credenciado pela Comissão Europeia.
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