Publicado 24/08/2026 05:56

Zelenski apela à unidade no Dia da Independência: “A Ucrânia não cairá, alcançará a paz e seguirá em frente”

23 de agosto de 2026, Kiev, Ucrânia: O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, participa da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional no Museu Nacional de História da Ucrânia, no Complexo Memorial da Segunda Guerra Mundial, por ocasião do Dia da B
Europa Press/Contacto/Yevhen Kotenko

MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, fez um apelo nesta segunda-feira à unidade dos ucranianos no Dia da Independência, em um momento em que o país atravessa uma situação “realmente difícil” no contexto da guerra iniciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, em 2022.

Ao completar 35 anos da constituição da Ucrânia como Estado independente após a queda da União Soviética, e em uma data de especial relevância diante da invasão do leste do país, Zelenski ressaltou que a Ucrânia “não cairá, alcançará a paz e seguirá em frente” diante de uma guerra que já dura 1.643 dias.

“Neste momento, as coisas estão realmente muito difíceis para todos nós. Mas há uma força que nos sustenta firmemente de mãos dadas, e, na verdade, ela não é invisível de forma alguma. É a força do nosso círculo de apoio mútuo: o apoio entre nós, a ausência de dúvidas sobre a pessoa que está ao nosso lado, a fé em todos os ucranianos”, destacou ele em um discurso no qual indicou que o fundamental é que a Rússia “não rompa esse círculo”.

De qualquer forma, o líder ucraniano insistiu que Putin está “preso ao passado” e continua tendo uma visão antiquada da Ucrânia como um país que “permanecerá em silêncio, que engolirá tudo e suportará tudo”. “Essa Ucrânia não existe em lugar algum, a não ser em suas pequenas pastas de relatórios”, afirmou ele, reiterando que Kiev “não é um observador, mas um ator”, “não é uma vítima, mas um combatente”.

Dessa forma, Zelenski ressaltou que a Ucrânia não permitirá que a Rússia “assuma a iniciativa, engane a Europa e o mundo inteiro fazendo-os acreditar que a Ucrânia simplesmente precisa abrir mão do Donbass e que tudo terminará em breve”, enfatizando que a Rússia não está conseguindo conquistar a totalidade desse território

“A Rússia não quer a paz. Quer mobilização. Nós enfrentamos isso com cabeça fria. Agimos. Precisamos fortalecer nosso Exército, dispor de tudo o que for necessário para manter nossa defesa; nossos combatentes devem receber suprimentos e estar equipados com tudo o que for necessário”, afirmou, ressaltando que a derrota do Exército russo “pode se tornar adubo para nosso solo”.

“Putin espera que estejamos cansados. Mas sabemos que ele é mortal. Ele nunca nos entendeu. Agora ele não terá mais tempo para isso”, advertiu, ressaltando que, enquanto pensava em “tomar posse” da Ucrânia, está “perdendo” refinarias de petróleo, a frota e toda uma geração que “enviou para o moedor de carne”.

“Você queria nos apagar do mapa; agora é você quem está ausente da agenda internacional da futura civilização. Durante 27 anos, o chefe da Rússia falou de grandeza, enquanto a Rússia faz fila para conseguir gasolina”, repreendeu ele em uma mensagem direta ao presidente russo.

Dessa forma, ele pediu a união da Ucrânia, da Europa, dos Estados Unidos e do mundo inteiro para aumentar a pressão sobre o Kremlin, avaliando que os Estados Unidos “perderam todas as ilusões sobre se a Rússia realmente quer pôr fim a esta guerra”.

“Acredito que os Estados Unidos vão superar todas as suas contradições e fobias em relação à Rússia. É preciso levar os russos à mesa de negociações. Finalmente, devem haver sanções que os façam gritar. É preciso dar à Ucrânia tudo o que for necessário para que eles ponham fim à guerra. E isso é possível”, resumiu.

A UCRÂNIA NÃO É O IRMÃO MAIS NOVO DA RÚSSIA

Dessa forma, o líder ucraniano afirmou que Putin cometeu um erro de cálculo em relação ao ataque lançado contra a Ucrânia. “Ele se enganou no que há de mais importante. O inimigo calculou nossos recursos, nossas reservas, nosso equipamento, mas não levou em conta o essencial: as pessoas”, indicou ele, valorizando o fator humano e ressaltando que a população da Ucrânia “não quer a Rússia” no país e “luta com unhas e dentes pela paz e pela independência”.

“Os russos achavam que éramos o irmão mais novo, mas a vida mostrou que somos estranhos para eles. Cada traço do nosso caráter lhes parece estranho. Tudo o que faz dos ucranianos serem ucranianos”, destacou, ressaltando que “centenas de milhares de voluntários” defendem o país na linha de frente.

“Centenas de milhares de nomes, vidas e personalidades sustentam a linha de frente e sustentam nossa independência. Agradeço a todos os nossos guerreiros que, durante todos esses anos, todos esses dias e neste exato momento, neste exato momento, estão lutando para que a Ucrânia continue viva”, afirmou, ressaltando que as Forças Armadas ucranianas “não se sustentam apenas em doutrinas e padrões, mas também têm um coração que não precisa de nenhuma ordem adicional para ser corajoso”.

AVANÇOS DA INDÚSTRIA DE DEFESA UCRANIANA

Zelenski destacou os avanços da indústria de defesa ucraniana, descrevendo-a como “um gigante que forja a independência 24 horas por dia, 7 dias por semana”, mas ressaltando que ela precisa “fazer mais”. Da mesma forma, ele defendeu a estratégia de ataques de longo alcance para atingir a Rússia em seu próprio território. “Nossas capacidades de longo alcance estão reduzindo os ganhos deles. Milhares de nossos ataques em profundidade já atingiram Moscou, Tuápse, Tula, Riazã, Olenia, Omsk e dezenas de outros locais onde nossa justiça ucraniana já chegou. A Rússia precisa ver mais dessa justiça”, afirmou.

Assim, ele ressaltou que os “flamingos” — nome dado aos mísseis de fabricação ucraniana — “não deveriam ser uma espécie rara, mas aves que chegam em massa”. “Eles devem passar o inverno na Rússia”, garantiu, anunciando novas campanhas militares contra Moscou.

Quanto à defesa antimísseis, o líder ucraniano reconheceu que esse é o calcanhar de Aquiles de sua defesa e que “é preciso encontrar uma solução para o terror balístico deles”. “Essa aposta deles não deve sair lucrativa”, declarou.

“A Ucrânia está fazendo todo o possível para conseguir isso. E terá sucesso. Porque já demonstrou mais de uma vez que nossa determinação obstinada está simplesmente fora do alcance deles”, destacou, citando como exemplo que Kiev derruba “mais de 90%” dos drones Shahed.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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