Confirma que, em novembro, ocorrerá um encontro trilateral com os EUA e a Rússia para tentar avançar rumo a um acordo de paz
MADRID, 26 out. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, anunciou que Bruxelas sediará, nesta semana, uma reunião de segurança com delegações dos Estados Unidos, da União Europeia (UE), da OTAN e de Kiev para discutir a última proposta para o fim da guerra com a Rússia, na esteira do recente encontro na Noruega e da viagem do enviado da Casa Branca a São Petersburgo para tratar da iniciativa.
Assim, ele lembrou, em entrevista concedida ao programa de televisão TSN.Tyzhden, que a reunião em Oslo incluiu contatos entre ele próprio e o enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, bem como conversas que contaram com a participação de assessores de segurança de vários países europeus, além de representantes da UE e da OTAN.
Zelenski revelou que, após receber informações de Witkoff sobre seus contatos em São Petersburgo com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir as conclusões de Oslo, está sendo considerada uma reunião de segurança em Bruxelas para tratar da situação, com terça ou quarta-feira como datas possíveis.
“Agora eles não querem apenas uma atualização (sobre os contatos na Rússia), mas sim discutir em profundidade sobre segurança, garantias e a UE”, afirmou o presidente. “Eles querem uma reunião esta semana em Bruxelas”, acrescentou, conforme divulgado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.
Nesse sentido, ele especificou que participariam da reunião delegações dos Estados Unidos, da Ucrânia, da UE e da OTAN. “Não sei se haverá mais alguém como parte desse grupo em Bruxelas, já que é lá que a OTAN e a UE têm suas sedes”, acrescentou o presidente ucraniano, sem que haja, por enquanto, mais detalhes.
Por outro lado, ele confirmou que, em novembro, será realizada uma reunião trilateral entre a Ucrânia, os Estados Unidos e a Rússia, embora tenha feito um apelo para que as sanções contra Moscou não sejam retiradas com vistas a negociações ou para viabilizar esse diálogo. “As sanções foram impostas por causa de uma agressão, não para termos uma oportunidade de conversar”, argumentou.
“Tenho a sensação, e já passei por bastante, de que, quando falamos da lealdade da Rússia, não devemos comprá-la por esse preço. Se continuarmos sem sanções e em um formato trilateral, podemos chegar a um ponto em que nada estará claro e, o que aconteceria então?”, questionou. “As sanções já teriam sido suspensas”, acrescentou.
“Quem teria então a força que tínhamos no início da guerra para impor novamente todas as sanções, para unir as pessoas de modo que houvesse mais de 20 pacotes de sanções em todo o mundo? Por isso, sou muito cauteloso em relação a esse assunto”, destacou o presidente ucraniano.
Zelenski mostrou-se, no entanto, disposto a interromper os ataques contra refinarias russas se Moscou puser fim aos seus ataques contra a infraestrutura energética na Ucrânia. “Uma trégua energética. Isso poderia funcionar”, explicou ele, após o fracasso de vários apelos anteriores para um acordo nessa área.
Nesse sentido, ele ressaltou que Kiev “não vê pedidos de grandes países europeus para retirar sanções e restabelecer as alianças energéticas com a Rússia”. “Não vejo isso, já que reagiríamos. Eu reagiria”, afirmou, após reconhecer que há países da UE que dependem do fornecimento de petróleo e gás de Moscou.
Por fim, ele ressaltou que a situação “está avançando” no campo diplomático rumo a um possível acordo de paz. “Temos que avançar em todas as frentes”, defendeu, antes de esclarecer que foi possível “desbloquear o formato das negociações”. “Se Deus quiser, haverá resultados”, acrescentou.
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