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MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, anunciou nesta sexta-feira aumentos salariais no Exército, especialmente significativos para os soldados de infantaria que se encontram na linha de frente, bem como “novas oportunidades” para continuar atraindo voluntários estrangeiros.
Zelenski manteve, nos últimos dias, reuniões com sua equipe de governo e altos comandos das Forças Armadas para discutir este novo plano de melhoria das condições de trabalho e salariais das tropas, que dependia em grande parte do pacote de ajuda econômica da UE avaliado em 90 bilhões de euros.
O objetivo, lembrou o presidente, “é aumentar a estabilidade financeira” daqueles que servem no Exército, bem como sua transformação nos próximos anos, uma questão que também está na agenda de Kiev sobre as garantias de segurança após o fim da guerra, que já dura quatro anos e meio.
“Há recursos para aumentar os pagamentos no Exército”, destacou Zelenski em uma mensagem em suas redes sociais, na qual detalha algumas dessas melhorias. Assim, ele anunciou salários mínimos de 30.000 grivnas mensais (580 euros) para aqueles que atuam na retaguarda e até 300.000 grivnas (cerca de 5.800 euros) para combatentes na linha de frente.
“Quanto mais missões de combate, maior será o nível salarial. Haverá novos contratos, significativamente mais vantajosos, para a infantaria”, afirmou. “Tudo depende da infantaria ucraniana, da nossa infantaria ucraniana”, ressaltou.
“Os pagamentos aos comandantes de combate ucranianos serão aumentados, o que deve criar um incentivo positivo para preservar a experiência de gestão no Exército”, disse Zelenski, anunciando mudanças na duração dos contratos, que serão de 10, 14 ou 24 meses, com "prazos garantidos e adiamentos reais".
Zelenski aproveitou também para agradecer os esforços que os "voluntários estrangeiros" vêm realizando durante o conflito, "entendendo que isso diz respeito à liberdade de muitos outros povos".
"Dei instruções para abrir muito mais oportunidades para atrair voluntários estrangeiros para o Exército ucraniano, e haverá mais mecanismos de recrutamento nesse sentido", disse ele, sem dar mais detalhes.
Por fim, anunciou que serão simplificados os trâmites para a transferência de soldados, bem como maiores oportunidades de ascensão e promoção dentro das Forças Armadas, além de incentivos para tornar o recrutamento mais atraente.
O problema do recrutamento nas fileiras ucranianas tem sido quase uma constante desde o início da invasão russa, há já mais de quatro anos. O Parlamento propôs diversas iniciativas para tentar tornar mais atraente a opção de se alistar voluntariamente, à medida que cresce o descontentamento entre a população e aumentam as fugas para outros países para evitar o serviço militar.
Estima-se que cerca de dois milhões de ucranianos tenham conseguido evitar o recrutamento. O governo lançou várias iniciativas para amenizar essa situação, desde sugerir aos seus parceiros que limitassem certos direitos dos cidadãos ucranianos em seus países de acolhimento para tentar fazê-los retornar, até recrutar na população carcerária em troca de benefícios penitenciários.
Recentemente, o governo reconheceu o “tratamento desumano” durante a mobilização forçada imposta para reforçar as fileiras do Exército, como pode ser visto nos vídeos que circulam nas redes sociais, nos quais cidadãos em idade de servir são detidos e transferidos contra sua vontade para centros de treinamento.
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