MADRID, 3 nov. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, revelou nesta terça-feira que as garantias de segurança e as medidas de recuperação econômica para seu país serão os primeiros temas a serem abordados na nova rodada de negociações tripartites com a Rússia e os Estados Unidos, na próxima semana, na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi.
“A parte norte-americana já deu sinais de que deseja discutir garantias de segurança para a Ucrânia e um pacote para a recuperação do nosso Estado”, afirmou Zelenski durante uma coletiva de imprensa conjunta com o chanceler alemão, Friedrich Merz, por ocasião de sua visita surpresa a Berlim.
Da mesma forma, Zelenski confirmou que, entre os objetivos para este ciclo de negociações, previsto para os dias 10 e 11 de novembro, está o acordo de um cessar-fogo em relação às instalações energéticas e outras infraestruturas consideradas críticas diante do inverno iminente, bem como o desbloqueio do Mar Negro.
Assim, ele destacou que “não apenas a Ucrânia” está interessada nessa questão, mas também a Rússia, mas também “outros países na África e na Ásia”, bem como “diversos parceiros”, em clara alusão aos estragos que o aumento dos ataques no Mar Negro está causando às exportações de alimentos para dezenas de países.
Além disso, o presidente ucraniano propôs continuar avançando, ou até mesmo intensificar, as trocas de prisioneiros, um dos poucos aspectos em que as partes chegaram a um acordo em negociações anteriores.
PAPEL DA EUROPA NAS CONVERSAS
Zelenski também quis destacar o papel dos países europeus durante o processo e sinalizou que espera contar com uma representação deles em uma futura reunião no nível de líderes, cujos preparativos também deveriam começar neste encontro realizado na capital dos Emirados Árabes Unidos.
“Não pode haver uma paz estável e duradoura se a Europa não participar das negociações de uma forma ou de outra”, destacou Zelenski, segundo a agência de notícias Ukrinform.
Por sua vez, o chanceler alemão expressou suas dúvidas quanto à disposição da Rússia e alertou que, até o momento, o país não demonstrou sinais suficientes de interesse em alcançar a paz. “Até agora, não vejo isso acontecendo”, disse Merz, moderando as expectativas.
Merz concordou que a Europa deve estar presente nessas negociações e destacou que há questões que “só podem ser resolvidas” com a participação da Europa.
Nesse sentido, ele anunciou uma próxima reunião em Berlim, no dia 19 de novembro, da chamada “coalizão dos voluntários”, na qual os parceiros da Ucrânia pretendem definir o escopo do próximo pacote de ajuda, “principalmente militar”, para o ano de 2027.
A EUROPA BUSCA SEU ESPAÇO NAS NEGOCIAÇÕES
Nas últimas horas, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, anunciou uma nova rodada de conversações para os dias 10 e 11 de novembro em Abu Dabi, sede de encontros anteriores, nos quais ficaram evidentes as profundas diferenças que ainda separam Moscou e Kiev.
Witkoff também informou que as autoridades americanas se reunirão nesta semana com representantes de vários países europeus, entre eles França, Alemanha e Reino Unido, além de delegações da OTAN e da UE.
Os parceiros europeus de Kiev vêm insistindo, desde o início do processo, em ocupar um lugar à mesa de negociações, alegando que está em jogo o esquema de segurança do continente, bem como por seu status de principal fornecedor de armamento à Ucrânia e pelas aspirações ucranianas de fazer parte da UE no futuro. No entanto, tanto Washington quanto Moscou preferem esperar.
As conversas em Abu Dhabi serão seguidas por três cúpulas importantes, entre elas a do G20, que será realizada em meados de dezembro na Flórida, na qual especula-se sobre a possibilidade de o presidente russo, Vladimir Putin, comparecer a convite de seu homólogo norte-americano, Donald Trump.
Antes disso, Putin, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, poderão se encontrar à margem do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que será realizado na cidade chinesa de Shenzhen nos dias 18 e 19 de novembro, um encontro que tem suscitado certa desconfiança diante da possibilidade de que se discuta a situação da Ucrânia a portas fechadas.
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