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MADRID 13 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que o país não será capaz de sobreviver aos ataques russos durante o próximo inverno se os Estados Unidos não lhes venderem pelo menos 5% de seus mísseis Patriot. “Eu tenho 1%”, disse o presidente, enquanto Moscou não para de aumentar o número de mísseis balísticos.
“Este ano, temos duas vezes e meia menos interceptores do que em 2025. A Rússia lança o dobro de mísseis balísticos a cada mês. Há bombardeios todas as noites, e quatro ou cinco vezes por mês ocorrem ataques em grande escala. São noites terríveis”, relatou o presidente ucraniano em entrevista à CNN, publicada nesta quinta-feira.
O último mês de julho foi o mais mortal para a população civil ucraniana desde abril de 2022, quando a invasão russa mal havia começado, segundo denúncia das Nações Unidas, com ataques em grande escala em Kiev ou Zaporizhia.
“Se nos venderem 10%, destruiremos todos os mísseis balísticos russos”, afirmou Zelenski, que, apesar dos esforços diários, não consegue atingir esses números. “Levo meses para isso, faço milhões de ligações. Tento trocar algo por mísseis. Faço coisas das quais nem sequer posso falar”, disse ele.
Esses esforços também foram prejudicados pela alta demanda por esses projéteis no Oriente Médio, à medida que continua a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, país que estendeu o conflito aos interesses e instalações que Washington possui em vários países da região.
Zelenski também destacou que ainda é um verdadeiro “desafio” saber como poderá colocar em prática a aparente aprovação que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu há dois meses na cúpula da OTAN em Ancara, para fabricar de forma independente esses mísseis Patriot em solo ucraniano.
“Espero conseguir isso (...) representa para mim um grande desafio, um dos maiores que enfrentei desde o início desta guerra”, reconheceu o presidente ucraniano, que aproveitou para pedir ainda mais envolvimento de Washington na resolução do conflito.
Nesse sentido, ele voltou a enfatizar que somente Trump é capaz de exercer pressão suficiente sobre o presidente russo, Vladimir Putin, para que cesse os ataques. “Ele não quer parar esta guerra e não está sendo pressionado o suficiente”, alertou Zelenski, que não descarta que Moscou estenda o conflito para a OTAN.
“Ele não sabe como encerrar esta guerra sem uma grande ocupação ou uma grande vitória para sua sociedade. É mais fácil para ele encontrar um país menor, não importa se esse país pertence ou não à OTAN. Ele quer uma vitória rápida, com a certeza absoluta de que vencerá, ocupará, destruirá ou controlará”, afirmou.
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