-/Ukrainian Presidency /dpa - Arquivo
MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, criticou nesta quinta-feira a Rússia pela falta de vontade de pôr fim à guerra na Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022, após reconhecer que os Estados Unidos acreditam que o presidente russo, Vladimir Putin, deseja encerrar o conflito e admitir que as posições de Kiev e Washington nesse aspecto são “completamente diferentes”.
“Não vemos nenhum desejo genuíno por parte da Rússia de pôr fim à guerra, e compartilhamos essa visão com nossos parceiros. Os Estados Unidos acreditam que Putin quer que a guerra termine. Nossas posições aqui são completamente diferentes”, reconheceu ele em entrevista concedida ao jornal francês ‘Le Monde’.
De qualquer forma, Zelenski evitou enquadrar essas diferenças com o governo de Donald Trump como um problema. “É normal que as opiniões divergem. Mas, por outro lado, quando queremos pôr fim à guerra, acelerar esse processo, levantamos a questão de exercer pressão sobre a Rússia”, indicou, para ressaltar que a forma de avançar na busca pela paz é exercer mais pressão sobre Moscou.
“Sabemos que Putin não quer terminar a guerra. Pedimos mais pressão para que ele queira fazê-lo. Mas os Estados Unidos acreditam que ele quer encerrá-la, então por que aplicar pressão adicional se a Rússia está demonstrando que também está disposta à paz?”, afirmou, para evidenciar que Moscou não dá passos em direção ao fim do conflito.
“Existem diferentes perspectivas sobre certos temas, e isso é algo em que devemos trabalhar”, admitiu o presidente ucraniano sobre a posição dos Estados Unidos, que há meses atuam como facilitadores das conversas entre a Ucrânia e a Rússia.
Quanto ao andamento da guerra, Zelenski destacou que a Rússia, “em termos históricos”, está “perdendo”. “100%. Neste momento, eles estão sofrendo um número assustador de baixas: entre 30.000 e 35.000 pessoas por mês. A Rússia não consegue manter o ritmo de mobilização, de recrutamento por contrato e, evidentemente, não consegue acompanhar o ritmo de treinamento de suas tropas”, expôs.
Nesse sentido, ele enfatizou a importância de manter as sanções econômicas contra a Rússia, uma vez que indicou que continuar o esforço bélico é uma questão econômica. “Trata-se de dinheiro. E o dinheiro não significa apenas tanques. Ninguém luta mais com tanques. Dinheiro significa drones e pessoas. Pessoas significam contratos. E se não têm dinheiro para contratos, sua força está diminuindo”, refletiu.
Dessa forma, lamentou o relaxamento das sanções sobre o setor energético da Rússia, aprovado por Washington de forma temporária para enfrentar a crise do petróleo causada pela guerra no Irã. “Isso, evidentemente, não ajuda a reduzir a intensidade dos combates na Ucrânia, nem no Irã, porque a Rússia ajudará o regime iraniano por diversos meios”, indicou.
ALTERNATIVA À AJUDA DE 90 BILHÕES BLOQUEADA NA UE
Sobre a paralisia no seio da UE em relação ao pacote de 90 bilhões de euros para Kiev, que a Hungria e a Eslováquia mantêm bloqueado devido às suas divergências com a Ucrânia, Zelenski lembrou o acordo alcançado no final de 2025 entre os líderes da UE e deixou a cargo deles encontrar uma “alternativa”.
“Ficaremos gratos se puderem desbloquear esse mecanismo. Se não o fizerem, esperamos uma alternativa que nos permita acessar esses fundos”, indicou, após ressaltar que as consequências serão sentidas no Exército ucraniano, mas também na produção de drones e nos sistemas de defesa antiaérea. “Isso representa um risco para todos. É um risco para a segurança europeia. Acredito que não haverá um colapso e que os europeus resolverão este problema”, previu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático