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MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que o governo dos Estados Unidos ignorou as provas do apoio da Rússia ao Irã durante esta guerra no Oriente Médio porque “confia” no presidente russo, Vladimir Putin.
“Eu disse isso publicamente. Será que percebemos alguma reação dos Estados Unidos em relação à Rússia, uma reação do tipo 'eles precisam parar com tudo isso'?”, questionou ele em entrevista à emissora pública italiana RAI, transmitida nesta quinta-feira.
Zelenski explicou que alertou o governo de Donald Trump sobre as imagens de satélite de infraestruturas energéticas e instalações militares em Israel e nos países do Golfo que a Rússia disponibilizou ao Irã para facilitar seus ataques. “O problema é que eles confiam em Putin. É uma pena”, lamentou.
Por outro lado, Zelenski falou sobre a relação tensa que mantém com o presidente dos Estados Unidos desde aquela visita à Casa Branca no final de fevereiro de 2025. “Quem tem melhor relação com Trump do que eu? Acho que temos uma boa relação porque sou um dos poucos que dizem a ele o que pensam”, disse.
“Não há muitas pessoas que possam dizer ao presidente dos Estados Unidos que ele nem sempre está certo”, afirmou Zelenski, que considera que a relação entre Washington e Kiev é de mão dupla. “Eles precisam de nós e da nossa experiência adquirida durante esses anos de guerra”, afirmou.
Com relação às conversas com a Rússia patrocinadas pelos Estados Unidos, Zelenski confia que elas possam ser retomadas o mais rápido possível, assim que Washington conseguir chegar a um acordo de trégua com Teerã, e insiste em seu interesse em se reunir com seu homólogo russo, Vladimir Putin. “Estou disposto”, destacou.
“É claro que não em Moscou nem em Kiev. Mas se ele estiver disposto a se reunir comigo, há muitos lugares para fazê-lo. Podemos encontrar um no Oriente Médio, na Europa, nos Estados Unidos, em qualquer lugar”, disse ele.
Conversas nas quais o status dos territórios ocupados pela Rússia continua sendo um dos principais pontos de atrito. “Não podemos simplesmente falar em entregar o Donbass”, reiterou, como em outras ocasiões, a respeito dessa histórica região oriental formada por Donetsk e Lugansk.
“Que garantias de segurança temos se a Rússia decidir avançar novamente? Talvez não o faça imediatamente, ou talvez ataque novamente daqui a dois ou três anos. Também queremos que as garantias de segurança incluam uma presença europeia e norte-americana”, assinalou em relação a outra das exigências ucranianas nas negociações.
Zelenski também descartou convocar eleições até que a segurança da população esteja garantida, incluindo a “dos soldados que precisam votar”, e expressou seu desejo de que a Ucrânia continue recebendo armas e que os Estados Unidos retomem as sanções ao petróleo russo o mais rápido possível, suspensas devido à crise energética provocada pela guerra no Irã.
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