Alejandro Martínez Vélez - Europa Press
MADRID, 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A segunda vice-presidente e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, tentou hoje minimizar a importância da discussão que os dois partidos do Executivo tiveram na última sexta-feira sobre o decreto da habitação, que atrasou em duas horas o início do Conselho de Ministros, e alertou que já passou por “batalhas nas quais o Governo quase desmoronou”.
Foi o que ela declarou durante uma entrevista à RNE, divulgada pela Europa Press, na qual negou que essa discussão tenha sido das mais graves.
O Sumar queria que os contratos de aluguel com vencimento este ano fossem prorrogados e que essa medida fosse incluída entre as aprovadas na sexta-feira no Conselho de Ministros extraordinário para enfrentar a inflação decorrente da guerra no Golfo Pérsico e do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo mundial.
Quando questionada se essa discussão, que atrasou o início do Conselho de Ministros (já que os membros do Sumar não queriam entrar sem antes chegar a um acordo sobre a habitação), foi a mais acirrada que o PSOE e o Sumar já tiveram, Yolanda Díaz negou veementemente e retrucou: “Não é verdade”.
“Permita-me dizer que, desde 13 de janeiro de 2020, essa batalha foi um pouco pequena; digo isso porque já vivi algumas em que o Governo da Espanha quase desmoronou”, exclamou a segunda vice-presidente.
A também ministra do Trabalho insistiu que há uma “discrepância manifesta sobre como resolver o problema da habitação” que se arrasta há muito tempo.
Nesse sentido, ela precisou que os dois partidos do governo compartilham o diagnóstico sobre qual é o principal problema deste país, mas não concordam em como abordá-lo. Na sua opinião, o PSOE continua preso às soluções dos anos 90, com deduções fiscais, enquanto o Sumar insiste na intervenção no mercado.
No entanto, ela insistiu que “a situação não foi tão grave, nem de longe” no que diz respeito à discussão que mantiveram na última sexta-feira. Além disso, ele destacou que as medidas aprovadas para prorrogar os contratos de moradia “estão em vigor”.
Dito isso, ele quis enviar uma “mensagem de tranquilidade” por parte do governo, garantindo que este fará o que for necessário para proteger os cidadãos.
CAMPANHA DE PRESSÃO PARA APROVAR O DECRETO DE MORADIA
O ministro de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, também se pronunciou sobre o decreto de habitação aprovado na sexta-feira e fez um apelo para que se realize a “maior campanha de pressão” para que o Congresso vote a favor.
O ministro do Sumar se pronunciou assim em uma entrevista à TVE, divulgada pela Europa Press, onde alertou que, com essa influência, as pessoas saberão quem está do lado da cidadania e quem está do lado “de uma classe rentista que está enriquecendo” com seu voto contra a prorrogação dos contratos de aluguel por mais dois anos.
REJEITA A SUBMISSÃO A TRUMP E AFIRMA QUE NÃO HÁ “LIDERANÇA” NA UE
A segunda vice-presidente também precisou que essa guerra “não sai de graça” e que a “loucura de Trump” tem consequências econômicas e sociais “brutais”.
Nesse contexto, ela alertou que a UE “não cumpre suas obrigações” e criticou a presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von der Leyen, por questionar a legalidade internacional em declarações recentes. Sobre ela, disse que sua imagem na reunião que manteve com Donald Trump é de “vassalagem” e uma “vergonha para todas as mulheres do mundo”.
Na sua opinião, não é que a Europa não esteja unida, é que “não há direção. Não há liderança”, nem tampo menos “ousadia”. Considera, a esse respeito, que a UE será julgada pelo que está acontecendo no mundo e correrá “riscos gravíssimos”.
Ele lembrou que a Europa nasceu como um projeto de paz e para gerar bem-estar social. No entanto, acredita que “essa Europa não é a que a presidente da Comissão representa hoje, na minha opinião, de forma alguma”. Por isso, considera “inadequado para a presidente da Comissão” manter a posição que defendeu, embora ela tenha se retratado posteriormente.
BOAS-VINDAS À PROPOSTA DE RUFIÁN
Quanto à proposta do porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, de que a esquerda se una para as eleições, Yolanda Díaz afirmou que são “bem-vindos todos os movimentos que sirvam para duas coisas: mudar o estado de espírito das pessoas progressistas do nosso país e, em segundo lugar, continuar conquistando direitos na Espanha”.
Na sua opinião, a aposta em deter a direita e a extrema direita na Espanha “já não mobiliza ninguém”, pelo que é necessário um projeto que entusiasme e contribua para “mudar o estado de espírito e conquistar direitos”. “Tudo o que sirva para isso, evidentemente, só me vai trazer alegria”, reforçou.
Quanto ao motivo pelo qual anunciou que não se candidatará nas próximas eleições, ela destacou que “nunca” quis liderar e afirmou que, em 23 de julho de 2023, “não queria ser candidata a nada, como em muitas outras ocasiões”, e já havia decidido “há muito tempo” o passo que deu agora.
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