Alexander Kazakov / Zuma Press / Europa Press
MADRID 13 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da China, Xi Jinping, instou neste sábado os países membros do BRICS a assumirem um papel de liderança diante das transformações no cenário internacional e a promoverem uma cooperação mais estreita nas áreas de inovação, paz, intercâmbio entre civilizações e governança global.
Durante sua intervenção na XVIII Cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, Xi destacou as duas décadas de cooperação do grupo e defendeu que o bloco deve se posicionar “do lado certo da história” para contribuir na construção de uma ordem internacional mais justa e equitativa.
O líder chinês destacou que o BRICS se consolidou, ao longo desses 20 anos, como uma das principais plataformas de cooperação para os mercados emergentes e os países em desenvolvimento. Em sua opinião, o grupo demonstrou sua capacidade de enfrentar em conjunto crises financeiras, a pandemia da COVID-19, as mudanças climáticas e outros desafios internacionais.
Xi destacou ainda que a expansão do BRICS e o desenvolvimento de mecanismos de cooperação em áreas como comércio, investimentos, finanças e tecnologia colocaram o bloco em uma nova fase, caracterizada por uma cooperação “de alta qualidade”.
O presidente chinês situou essa evolução em um cenário internacional marcado por profundas transformações, com o recente ganho de peso do chamado Sul Global e um avanço notável da multipolaridade, mas também pelo auge do unilateralismo e da política de poder. Nesse contexto, ele alertou para uma deterioração dos mecanismos internacionais destinados a lidar com as lacunas em matéria de paz, desenvolvimento, segurança e governança.
Diante dessa situação, Xi defendeu as iniciativas impulsionadas pela China nas áreas de desenvolvimento, segurança, civilização e governança global, e reivindicou que os BRICS desempenhem um papel pioneiro na construção de “uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”.
APOSTA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Como prioridade máxima, Xi destacou a inovação tecnológica e a transformação industrial, com especial atenção ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA). O presidente chinês defendeu que os BRICS devem reforçar sua cooperação nessa área por meio do código aberto, da transparência, da colaboração e do intercâmbio de conhecimentos.
Xi mencionou os esforços da China, em conjunto com outros países, para promover uma organização internacional de cooperação em inteligência artificial e centros destinados a facilitar a aplicação dessa tecnologia, especialmente nos países do Sul Global.
Nesse sentido, ele propôs uma iniciativa dos BRICS centrada em uma nova industrialização impulsionada pela IA, com o objetivo de ampliar a cooperação em pesquisa e desenvolvimento, aplicações tecnológicas e cadeias de suprimentos industriais.
O líder chinês também criticou as estratégias destinadas a restringir a interdependência econômica e tecnológica. “Os fatos demonstrarão que a desconexão e a interrupção das cadeias de abastecimento não frearão nosso processo de desenvolvimento, e que defender a mentalidade de ‘quintal pequeno, cerca alta’ apenas nos isolará e dividirá o mundo”, afirmou.
DEFESA DA PAZ
Xi também defendeu que o BRICS se torne um ator de referência para preservar a paz e a estabilidade internacionais, e atribuiu parte da atual instabilidade ao enfraquecimento da ordem internacional surgida após a Segunda Guerra Mundial e ao descumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas.
Nesse contexto, o líder chinês defendeu uma concepção de segurança baseada em seu caráter comum, integral, cooperativo e sustentável, ao mesmo tempo em que rejeitou a lógica dos blocos, a mentalidade da Guerra Fria, as violações da soberania e as ingerências em assuntos internos.
INTERCÂMBIO CULTURAL
A terceira área destacada por Xi foi o diálogo entre civilizações. O presidente chinês defendeu que a diversidade cultural dos BRICS deve se tornar um elemento de coesão e apelou à promoção dos valores comuns da humanidade, do intercâmbio e da coexistência pacífica.
Entre as propostas apresentadas está a realização de um Fórum de Intercâmbio entre os Povos dos BRICS para compartilhar experiências de governança. Ele também defendeu a ampliação da cooperação cultural, turística e educacional, bem como o aumento dos intercâmbios entre jovens e cidadãos dos países membros.
REFORMA DA GOVERNANÇA GLOBAL
A quarta prioridade apontada pelo líder chinês diz respeito à reforma da governança global. Xi afirmou que os BRICS devem contribuir para democratizar as relações internacionais e avançar em direção a um sistema “mais justo e equitativo”, ao mesmo tempo em que defendeu a centralidade da Organização das Nações Unidas.
Nessa linha, ele rejeitou a retirada de organizações e tratados internacionais e a criação de estruturas paralelas. No âmbito comercial, por exemplo, ele apoiou o sistema multilateral articulado em torno da Organização Mundial do Comércio (OMC), bem como sua reforma, e criticou o uso abusivo de tarifas e medidas protecionistas.
Da mesma forma, reivindicou uma maior participação dos países do Sul Global na definição das regras internacionais sobre áreas emergentes, como o ciberespaço, o espaço sideral ou as profundezas marinhas.
A CHINA ASSUMIRÁ A PRESIDÊNCIA EM 2027
Na parte final de sua intervenção, Xi apresentou a solidariedade e a cooperação como os principais motores do desenvolvimento do BRICS durante suas duas primeiras décadas e exortou seus membros a manterem uma relação baseada na sinceridade, no diálogo e na busca de consensos, respeitando as preocupações fundamentais de cada país e gerenciando as diferenças existentes por meio da comunicação.
A China assumirá no próximo ano a presidência do BRICS e organizará a XIX Cúpula do grupo. Xi garantiu que Pequim utilizará essa responsabilidade para reforçar o consenso entre os membros e definir as prioridades futuras da organização.
O objetivo, concluiu ele, será “dar início à terceira década de ouro da cooperação do BRICS e abrir um futuro promissor de prosperidade e progresso compartilhados”.
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