Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID, 10 jul. (EUROPA PRESS) -
A decisão de Santiago Abascal de romper os governos de coalizão com o PP em Aragão, Castilla y León, Comunidad Valenciana, Extremadura e Murcia e de deixar de dar apoio externo aos "populares" nas Ilhas Baleares completa um ano nesta sexta-feira, mas o Vox continua sendo decisivo nessas regiões autônomas. Em nível nacional, as relações entre os dois partidos não foram untadas e o líder do PP, Alberto Núñez, proclama que não quer ministros do Vox em seu governo.
Os governos de coalizão regional foram o resultado das eleições de 28 de maio de 2023 e, em alguns casos, não foi fácil criá-los. Alguns barões "populares", como Carlos Mazón, de Valência, assumiram rapidamente que, se quisessem governar, teriam que integrar a Vox, mas outros, como María Guardiola, da Extremadura, tinham mais reservas e tentaram evitá-la. No final, chegou-se a um acordo em todos os casos em que isso era necessário, e a Vox entrou nos executivos regionais autônomos com vice-presidências e conselhos regionais, de acordo com o peso obtido nas pesquisas.
As relações se agravaram devido à crise migratória nas Ilhas Canárias, o que levou o governo de Pedro Sánchez a propor a necessidade de distribuir os menores migrantes que chegavam às Ilhas Canárias através do continente espanhol, a fim de aliviar sua carga. A Vox se opôs à distribuição e pediu a seu parceiro governamental que não aceitasse nenhum menor migrante nessas comunidades. Quando o PP abriu a porta para aceitá-los, Abascal cumpriu sua ameaça e garantiu que a Vox se tornaria uma oposição "leal e vigorosa" nessas regiões.
Um ano depois, o PP sofreu as consequências de governar em minoria, especialmente quando se trata de aprovar orçamentos regionais, já que precisa do voto favorável do Vox. De fato, das cinco regiões mais as Ilhas Baleares, os "populares" conseguiram chegar a um acordo sobre as contas públicas regionais na Comunidade Valenciana, em Múrcia e nas ilhas, mas não em Aragão, Castela e Leão e Extremadura.
CONDIÇÕES
A Vox está satisfeita por poder fazer uso do peso que os eleitores lhe deram nas urnas e entrar em negociações com condições que representam o núcleo de suas posições políticas. Para chegar a acordos que permitissem a aprovação das contas regionais, a Vox disse ao PP que eles deveriam renunciar às políticas verdes e àquelas que, em sua opinião, favorecem a imigração irregular.
A resposta do PP foi mista. Mazón foi o primeiro dos barões regionais a adotar várias das medidas de Abascal sobre imigração e políticas climáticas, e o fez nesta primavera, depois de ficar em uma posição muito enfraquecida pela administração da dana que deixou mais de duzentos mortos.
Quando Mazón anunciou o acordo, ele atacou o Pacto Verde Europeu e pediu "ação" contra ele por causa de suas medidas "que vão diretamente contra a essência da economia espanhola e do setor primário", e afirmou que a Comunidade Valenciana "tem um problema" com a imigração ilegal. Os orçamentos valencianos cortam fundos para a Acadèmia Valencia de la Llengua (AVL) e incluem medidas para a "reunificação familiar" de menores migrantes.
A QUESTÃO DOS MENORES MIGRANTES
Ele foi seguido por Marga Prohens e Fernando López-Miras, que responderam a várias demandas do Vox relacionadas ao idioma, à imigração irregular, ao Pacto Verde Europeu e à memória democrática. No caso de Castilla y León, os orçamentos não eram urgentes porque a comunidade realiza eleições em 2026, enquanto na Extremadura o relacionamento de Guardiola com o partido de Abascal nunca foi bom. As negociações estão encalhadas desde o início.
Mas a Vox não apenas condicionou as contas de determinadas regiões autônomas. Ela também conseguiu fazer com que o PP se retratasse de certas decisões. O exemplo mais recente é justamente em Múrcia, onde o governo de López-Miras teve que voltar atrás em um projeto de compra de moradias para acolher menores migrantes, depois que Abascal ameaçou retirar o orçamento se não o fizesse.
As relações entre o PP e a Vox em nível nacional não são das melhores. Abascal endureceu seu tom contra Feijóo após a ruptura regional e, em seus discursos, ele geralmente passa quase tanto tempo atacando seu ex-parceiro quanto repreendendo o governo e o PSOE. Ele concentra suas críticas no fato de que a oposição dos "populares" ao governo de Pedro Sánchez é insuficiente e, na verdade, ele chegou a equiparar as políticas de ambos os partidos.
NO CONGRESSO, ACORDOS, MAS NENHUM GOVERNO COMPARTILHADO
Abascal dispara contra o bipartidarismo e os acordos que, como ele denuncia, são mantidos. E cita como exemplo os acordos firmados para renovar instituições como o Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ), o Tribunal Constitucional e o Tribunal de Contas, entre outros. Além disso, ele costuma pedir a Feijóo que rompa os acordos que tem com o PSOE em Bruxelas, diz ele.
Nos últimos dias, as tensões aumentaram novamente, desta vez sobre a política de pactos e alianças que Feijóo quer implantar com vistas às próximas eleições, que ainda não foram convocadas e podem levar até dois anos. Seu "compromisso", proclamado no Congresso Nacional do PP realizado no último fim de semana, é governar sozinho, abrindo-se para pactos com Vox, Junts e, ocasionalmente, com um PSOE sem Pedro Sánchez. A exigência de Feijóo é ganhar dez milhões de votos para governar sozinho.
A Vox critica a vontade do PP, mas se concentra no fato de que Feijóo já se considera o vencedor das hipotéticas eleições e, na opinião deles, está cometendo o "mesmo" e "gigantesco" erro que cometeu no dia 23 de junho. Quanto a não permitir que a Vox faça parte desse suposto Executivo, Abascal é claro: "ele não quer ministros da Vox porque quer uma coalizão com o PSOE".
O último confronto foi sobre o gerenciamento da imigração ilegal, justamente a principal causa do divórcio de um ano atrás. O Vox quis deixar claro que sua prioridade é deportar "milhões" de estrangeiros que entraram ilegalmente na Espanha, aqueles que cometem crimes e menores de idade, mas o PP se distanciou ao enfatizar que a legislação impede isso e que não se pode negar a eles serviços sociais, como assistência médica.
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