Publicado 14/09/2026 10:59

O Vox solicita ao PP a criação de uma comissão de inquérito no Senado para analisar a “lei dos netos”, que os “populares” rejeitam

Archivo - Arquivo - O porta-voz do Vox, José Antonio Fúster, durante uma coletiva de imprensa após a reunião do Comitê de Ação Política do Vox, em 9 de fevereiro de 2026, em Madri (Espanha). O Vox conquistou 14 deputados nas eleições realizadas neste domi
Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo

Fúster exigiu que o PP bloqueie, no Senado, a lei que concede a nacionalidade aos saharauis

MADRID, 14 set. (EUROPA PRESS) -

O porta-voz nacional do Vox, José Antonio Fúster, pediu nesta segunda-feira ao PP que forme uma comissão de investigação no Senado para analisar o impacto da disposição incluída na Lei da Memória Democrática, conhecida como “lei dos netos”, que concede a nacionalidade e, portanto, direito ao voto aos descendentes de exilados pela Guerra Civil e pela ditadura no cadastro eleitoral.

O Vox quer que “os responsáveis políticos e administrativos” pela disposição compareçam na Câmara Alta, onde o PP detém maioria, e “tomar conhecimento de todos os documentos e decisões adotadas” para sua redação e inclusão na lei, conforme explicou Fúster em coletiva de imprensa na sede nacional do partido.

“Utilizar todos os mecanismos institucionais e parlamentares para saber o que ocorreu, por que uma péssima Lei da Memória Democrática é corrompida por essa disposição, é preciso investigar quem tomou essas decisões, quem redigiu os pareceres jurídicos, quantas nacionalidades fraudulentas foram concedidas e qual é o seu impacto eleitoral — e é para isso que servem as Cortes Gerais”, justificou Fúster.

Quando questionado especificamente se o PP apoiaria a criação dessa comissão de investigação solicitada pelo Vox, o porta-voz nacional do PP, Borja Sémper, descartou essa opção e remeteu à decisão do Supremo Tribunal sobre a chamada “lei dos netos”.

“Vamos aguardar qual será a decisão definitiva do Supremo Tribunal e, politicamente, não precisamos — me surpreende que o Vox precise — de uma comissão de investigação para entender que uma portaria ministerial não está acima de uma lei aprovada no Congresso dos Deputados e que isso é um abuso”, enfatizou.

Sémper indicou que isso é “algo muito sério” e que o PP vai tratar o assunto com “o rigor e a estatura de Estado que ele exige”, já que, segundo ele, nos últimos dias está “ouvindo também interpretações” que são “equivocadas, quando não tortuosas”, pois o que está sendo analisado na Justiça é “uma portaria ministerial que altera o que os deputados decidiram no Congresso”.

“É disso que estamos falando e não de outras coisas”, disse ele, acrescentando que se trata de “garantir” a vontade do legislador e que o cadastro eleitoral na Espanha “está em conformidade com a norma estabelecida”.

RECURSO AO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

O Supremo Tribunal (TS) suspendeu, a título cautelar, o direito ao voto dos inscritos no Censo Eleitoral de Residentes Ausentes (CERA) em virtude da “lei dos netos”, acolhendo as medidas solicitadas pelo Vox e pela organização Iustitia Europa. Nesta segunda-feira, a Junta Eleitoral Central (JEC) se reúne para analisar como dar cumprimento à decisão do Supremo Tribunal. Fúster indicou que o Vox espera que a JEC ofereça uma “resistência obstinada” e cumpra o determinado pelo ST.

Fúster pediu cautela em relação à decisão do STF, tendo em vista que se trata de uma medida “provisória”, embora tenha reiterado a satisfação do Vox. “Não podemos comemorar prematuramente, pois isso ainda não acabou; trata-se de uma medida cautelar, provisória; a batalha de fundo ainda está por ser travada e sabemos que este governo vai utilizar todos os meios à sua disposição para tentar salvar sua operação”.

Nesse contexto, ele afirmou que o ministro da Presidência, Justiça e Relações com os Poderes Legislativos, Félix Bolaños, “está pressionando o Supremo” para que se pronuncie antes das próximas eleições “porque, caso contrário, a operação será desmantelada”. Fúster acrescentou que o Vox suspeita que a intenção seja levar a decisão do Supremo Tribunal Federal ao Tribunal Constitucional (TC) para se beneficiar da “maioria progressista” que compõe o tribunal.

IMPE?IR A CONCESSÃO DE NACIONALIDADE AOS SAHARAUIS

Por outro lado, Fúster pediu ao PP que atue no Senado para impedir a lei que concede a nacionalidade espanhola aos saharauis que a possuíam até 1977 e a perderam após a ocupação marroquina do Saara Ocidental, aprovada na quinta-feira no Congresso com o voto contrário dos partidários de Santiago Abascal e a abstenção dos “populares”.

“Por respeito à história, este é um debate que deve ser tratado com rigor e não com demagogia; (a nacionalidade espanhola) não é uma medalha, uma indenização nem um instrumento de propaganda; não se pode concedê-la como se não houvesse consequências, existem direitos e deveres para com nossa nação”, argumentou o porta-voz nacional do Vox.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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