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A presidente da Comissão promove um Escudo Espacial Europeu e defende o estabelecimento de padrões internacionais para o espaço
BRUXELAS, 10 set. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou nesta quinta-feira para que se reduza a dependência da Europa de países terceiros no setor espacial, ao considerar que existem capacidades “muito importantes” para serem deixadas nas mãos de outros, e defendeu que os Estados-Membros ajam de forma conjunta para reforçar a autonomia e a segurança europeias no espaço.
“Existem capacidades importantes demais para que se dependa de outros”, destacou durante sua intervenção na Cúpula Internacional do Espaço, realizada em Paris, na qual citou como exemplo o desenvolvimento, há mais de duas décadas, do Galileo, o sistema europeu de navegação por satélite, em contraposição àqueles que, na época, questionavam a necessidade de se ter uma alternativa própria ao GPS norte-americano.
Von der Leyen defendeu que essa decisão permitiu que a UE contasse hoje com uma infraestrutura que sustenta boa parte de sua economia e lhe dá “a liberdade de agir de forma independente”, uma aposta que, em sua opinião, a Europa deve repetir agora diante de uma nova etapa na corrida espacial marcada por avanços tecnológicos e crescentes ameaças à segurança.
“O que ocorre em nossas órbitas é cada vez mais fundamental para nossa segurança”, alertou a conservadora alemã, que citou a guerra da Rússia contra a Ucrânia como um exemplo da crescente importância estratégica do espaço, ressaltando que as decisões que a Europa tomar agora determinarão sua posição nas próximas décadas.
AGIR NO ESPAÇO “COMO UMA ÚNICA EUROPA”
Nesse contexto, Von der Leyen incentivou a Comissão Europeia, a Agência Espacial Europeia e os governos nacionais a “unir forças” e “agir como uma única Europa”, também para garantir que o bloco mantenha um acesso independente ao espaço.
Para isso, ela anunciou, em conjunto com a Agência Espacial Europeia, uma nova visão europeia sobre o acesso ao espaço que visa agrupar a demanda europeia e transformar as instituições em “clientes âncora” dos lançadores europeus, apoiando-se em sistemas como o Ariane 6 e o Vega-C e nas novas empresas do setor, para manter “uma indústria de transporte espacial competitiva na Europa”.
A presidente da União Europeia também insistiu na dimensão de segurança dessa estratégia, após constatar episódios de interferência e falsificação de sinais de navegação que afetam a aviação civil, ataques cibernéticos contra redes de satélites e incursões de drones que dependem de tecnologias de navegação por satélite.
“Nossa segurança na Terra depende cada vez mais da nossa segurança no espaço”, resumiu Von der Leyen, que defendeu, nesse sentido, o desenvolvimento do IRIS, a futura constelação europeia para comunicações seguras, que a UE decidiu, no mês passado, ampliar para mais de 350 satélites e cujos primeiros aparelhos estão previstos para serem lançados a partir de 2029.
ESCUDO ESPACIAL EUROPEU E PADRÕES ESPACIAIS SÓLIDOS
Von der Leyen também enquadrou esses esforços no futuro Escudo Espacial Europeu, com o qual Bruxelas pretende reunir as capacidades dos Estados-Membros para melhorar a vigilância e reforçar as defesas contra interferências e falsificações de sinais, além de suprir lacunas em áreas como o alerta precoce a partir do espaço e a proteção de satélites.
“Nenhum Estado-Membro pode desenvolver essas capacidades sozinho. Mas, juntos, a Europa tem a escala necessária para alcançar esse objetivo”, acrescentou a presidente da Comissão, defendendo que uma maior independência europeia não implica isolamento, mas sim dispor de capacidade própria para escolher e, ao mesmo tempo, manter a cooperação internacional no espaço.
“O espaço não pertence a nenhum país em particular”, ressaltou ela, comemorando a criação, nesta quinta-feira, de um novo grupo das Nações Unidas sobre conhecimento da situação espacial e defendendo que a UE contribua, por meio de sua Lei Espacial, para estabelecer “padrões internacionais sólidos” que garantam um uso “seguro, protegido e sustentável” do espaço.
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