BRUXELAS, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defenderam a necessidade de a União Europeia “começar a dialogar” com a Rússia e abrir canais diplomáticos com Moscou para que, “quando chegar a hora”, os Vinte e Sete tenham representação em eventuais negociações de paz.
Em uma coletiva de imprensa ao final do Conselho Europeu, realizado nesta quinta e sexta-feira em Bruxelas, os dois altos dirigentes da União Europeia explicaram que trabalharão “em estreita colaboração” com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para preparar uma posição comum do bloco comunitário para quando “chegar a hora” de dialogar com Moscou.
“Mais cedo ou mais tarde, a Rússia terá que sentar-se à mesa de negociações, especialmente sob a pressão de nossas sanções. E quando esse momento chegar, precisaremos de uma mensagem europeia unida dirigida ao presidente (Vladimir) Putin”, afirmou Von der Leyen, que apoiou Costa diante das dúvidas geradas pelos recentes contatos abertos com Moscou.
“Só posso confirmar que, desde o primeiro dia, temos colaborado de forma excelente, e assim continuará sendo”, acrescentou a conservadora alemã, que, após alertar que “todo o nosso continente está em risco”, defendeu que “a Europa deve ser uma das artífices de uma paz justa e duradoura” e que, em todo caso, “a Ucrânia deve estar no comando”.
Costa, por sua vez, procurou esclarecer “mal-entendidos”, afirmando que a União Europeia “não é, nem tem intenção de ser, mediadora”, já que está “do lado da Ucrânia” desde o início da invasão da Rússia “e continuará estando após a guerra”.
“Também está claro que, infelizmente, não temos sinais confiáveis de que a Rússia queira se engajar em negociações sérias no momento”, acrescentou o líder português, que também destacou que o papel da Ucrânia como negociadora com a Rússia é “complementar” ao papel da União Europeia de “defender seus interesses” em uma eventual mesa de negociações.
Sobre as conversas iniciadas por sua equipe, ele esclareceu que o objetivo era apenas “estabelecer um canal diplomático”. “Não podemos depender exclusivamente de terceiros para interpretar as mensagens russas; devemos poder transmitir diretamente à Rússia nossas próprias mensagens”, explicou.
Questionado sobre o que responderia àqueles que criticam o fato de sua iniciativa não ter sido consultada com os Estados-membros, Costa defendeu que é necessário “estabelecer imediatamente esse contato direto”, pois é preciso “ouvir a Rússia e precisamos transmitir nossas mensagens a ela”.
“E, uma vez que todos os líderes reiteraram que a União Europeia deve estar presente na mesa de uma futura negociação, na futura mesa de negociações, logicamente precisamos começar a dialogar, a manter contato direto com a Rússia”, concluiu.
MACRON DEFENDE UM PAPEL FUTURO DE COSTA
O presidente da França, Emmanuel Macron, também se referiu a esse assunto ao final da cúpula, ressaltando que, embora “os europeus não sejam mediadores”, no dia em que houver negociações, a União Europeia “deverá estar sentada à mesa”.
“Houve potências, às vezes aliadas, que se posicionaram como mediadoras desse conflito. Nós não somos. Estamos do lado da Ucrânia. Oferecemos ajuda e apoio a ela e impusemos sanções à Rússia”, afirmou.
Apesar disso, ele considerou importante que o bloco comunitário participe de eventuais conversas de paz, pois “estão em jogo os interesses da Europa” e, portanto, os europeus “devem estar representados”.
Nesse sentido, ele previu que o presidente Costa “desempenhará um papel dentro do âmbito de suas competências” e que os Estados-membros “também terão seu lugar”, já que ele “não pode representá-los em questões relativas às garantias de segurança, que serão um elemento-chave de qualquer negociação”.
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