BRUXELAS, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, criticaram o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, por “chantagear” os 27 líderes da União Europeia ao voltar atrás no compromisso assumido em dezembro de conceder um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia.
Foi o que afirmaram os dois mais altos dirigentes da União Europeia em uma coletiva de imprensa conjunta ao término do Conselho Europeu realizado nesta quinta-feira em Bruxelas, que foi marcado pelo veto de Budapeste ao empréstimo a Kiev acordado na última cúpula de líderes, com a justificativa húngara de que a Rússia está boicotando o transporte de petróleo para seu país através do oleoduto Druzhba.
“Hoje não debatemos o que já debatemos em dezembro passado. Mas os líderes intervieram para condenar claramente a atitude de Viktor Orbán e lembrá-lo de que um acordo é um acordo, que todos os líderes têm de manter a sua palavra e que ninguém pode chantagear o Conselho Europeu”, indicou Costa durante a sua intervenção.
O socialista português lembrou que a Comissão ofereceu “apoio técnico e financeiro” à Ucrânia para reparar o oleoduto Druzhba e destacou os esforços do governo de Volodimir Zelenski para tentar restabelecer o abastecimento em um mês e meio, apesar de a Rússia ter destruído a infraestrutura em até 23 ocasiões.
“Somente a Rússia pode decidir se destrói ou não o oleoduto Druzhba. A Rússia atacou 23 estações de gás. E, na vigésima terceira vez, a Ucrânia voltará a reparar esse gasoduto. É claro que a culpa não é da Ucrânia, nem da União Europeia, nem da Comissão, nem do Conselho Europeu, nem de nenhum Estado-membro. Por isso é totalmente inaceitável”, prosseguiu em sua explicação.
Por sua vez, Von der Leyen repreendeu Orbán, afirmando que o empréstimo foi aprovado em dezembro com “uma única condição”: que fosse feito por meio de cooperação reforçada, permitindo que três países — Hungria, Eslováquia e República Tcheca — não participassem do crédito.
“Essa condição foi cumprida, portanto, estamos muito claros sobre o que está acontecendo: a situação está bloqueada porque um líder não cumpriu sua palavra”, prosseguiu a conservadora alemã, alertando que encontrarão “uma maneira de seguir em frente”, mesmo que “a tarefa seja difícil”.
ORBÁN MANTEVE SEU VETO
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, que se reuniram nesta quinta-feira para abordar questões de competitividade, a crise no Oriente Médio e medidas para amenizar o aumento dos preços da energia após os ataques ao Irã, trataram como primeiro ponto de discussão o bloqueio da Hungria ao empréstimo à Ucrânia.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, expressou com veemência sua decepção pelo fato de Orbán estar colocando obstáculos a um acordo juridicamente vinculativo que os líderes fecharam em dezembro passado; uma posição que foi amplamente apoiada pelos demais líderes presentes à mesa, segundo indicaram fontes europeias.
Em resposta, Orbán avisou que não pretende mudar de opinião e defendeu que seu bloqueio ao empréstimo tem uma base jurídica sólida, apesar de os demais países criticarem o fato de ele vincular o acordo sobre o orçamento aos problemas de abastecimento de petróleo russo que a Hungria enfrenta após o ataque russo que danificou o oleoduto Druzhba na Ucrânia.
Aos olhos dos demais parceiros da UE, a questão do oleoduto — para cuja solução tanto Costa quanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estão mediando — é completamente diferente e não tem nada a ver com a ajuda urgente de que Kiev precisa para atender às suas necessidades financeiras.
De qualquer forma, os líderes encerraram a discussão após 90 minutos sem chegar a uma solução, pelo que o empréstimo continua em suspenso, sem que esteja previsto retomar este assunto mais tarde na cúpula, nem na videoconferência que mantiveram em seguida com Zelenski, uma vez que se considera que as dificuldades para liberar o empréstimo são uma questão interna do bloco.
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