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BRUXELAS 11 mar. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu nesta terça-feira que a Europa viveu até agora em um momento de "déficit de segurança", uma "ilusão que chegou ao fim" e pediu um esforço coletivo para lançar a defesa europeia.
Em um discurso na sessão plenária do Parlamento Europeu, a chefe do Executivo europeu alertou que a "ilusão" de viver em um dividendo de paz e uma era em que a Rússia era vista como parceira da Europa e os Estados Unidos como garantidores da segurança no continente acabou.
"Na realidade, tínhamos apenas um déficit de segurança. O tempo das ilusões acabou. A Europa é chamada a assumir maior responsabilidade por sua própria defesa. Não em um futuro distante, mas já hoje", disse ele.
Ele disse que os "passos graduais" devem ser deixados para trás e que a crise deve ser enfrentada "com a coragem que a situação exige". "Precisamos de um aumento na defesa europeia. E precisamos disso agora", disse ele.
Diante dos eurodeputados, Von der Leyen defendeu seu plano de rearmamento, que foi aprovado pelos líderes europeus na cúpula extraordinária da última quinta-feira. Nesse contexto, ela explicou que há um nível de consenso sobre a defesa europeia que é "sem precedentes" e "impensável há apenas algumas semanas" no Conselho Europeu. "É hora de termos uma defesa comum", afirmou.
APONTA PARA QUE OS ESTADOS-MEMBROS GASTEM ACIMA DE 3%.
De qualquer forma, o conservador alemão enfatizou que a maior parte do plano recai sobre os ombros dos Estados membros, que são os que devem aumentar os gastos nacionais com defesa e recuperar os níveis de investimento de décadas atrás.
"Atualmente, gastamos pouco menos de 2% de nosso PIB em defesa. Todas as análises concordam que precisamos ir além dos 3%. É óbvio que a maior parte do novo investimento só pode vir dos Estados membros", argumentou.
Von der Leyen argumentou que os empréstimos de 150 bilhões, que serão apoiados pelo orçamento da UE, "devem financiar as compras dos produtores europeus", insistindo que essa estratégia deve ser acompanhada do objetivo de impulsionar a indústria de defesa europeia.
"Esses empréstimos devem financiar compras de produtores europeus, para ajudar a impulsionar nosso próprio setor de defesa. Os contratos devem ser plurianuais, para dar ao setor a previsibilidade de que ele precisa", argumentou.
Ele explicou ainda que a "velocidade e a escala" do esforço de investimento militar justificam o uso do procedimento de emergência previsto no artigo 122 do Tratado, que permite que o executivo europeu "levante fundos e os empreste aos Estados-Membros para que invistam em defesa".
"Essa é a única forma possível de assistência financeira emergencial e é o que precisamos agora", acrescentou o presidente da UE.
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