SANTIAGO DE COMPOSTELA, 18 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma mulher vítima de um suposto abuso sexual que está sendo julgado esta semana em Santiago, na sexta seção do Tribunal Provincial de A Coruña, disse aos magistrados que o acusado, durante um encontro que tiveram através do Tinder, mas "sem qualquer intenção sexual", encorajou-a a tomar um medicamento que ela havia prescrito e que a deixou sonolenta.
Foi o que a mulher disse na audiência realizada na quarta-feira, na qual várias testemunhas também participaram. A sessão será retomada nesta quinta-feira com o depoimento do suposto autor, para quem a promotoria pede seis anos de prisão pelo crime de abuso sexual com conjunção carnal. Essa qualificação não existe mais no Código Penal após a chamada 'lei do só sim é sim', que, no entanto, é posterior aos fatos, ocorridos em outubro de 2021.
A vítima sofre de nevralgia - diagnosticada anteriormente - para a qual estava tomando vários medicamentos, um dos quais a deixava sonolenta. Ela também foi diagnosticada com transtorno de personalidade borderline, mas detectado mais tarde neste caso, e sintomas pós-traumáticos.
Em outubro de 2021, ela começou a conversar com o acusado, de nacionalidade colombiana, pelo Tinder e, no dia 20, ele lhe disse que estava em Santiago, onde a vítima morava. Ela concordou e confiou nele porque em seu perfil ele se identificava como "médico" e ela achava que ele era médico, algo que ele não negou. "Eu disse que me encontraria com ele, mas sem nenhuma intenção sexual. Eu escrevi para ele no aplicativo e ele disse que concordava", disse a mulher, testemunhando por videoconferência, para não ter que ver o suposto agressor.
Eles foram jantar no centro da cidade e, "por volta das 23h ou 23h30" da noite, ela tomou alguns de seus medicamentos, mas não o que a fazia dormir, pois preferia "tomá-los em casa" um pouco mais tarde. Mas ele, de acordo com o relato da mulher, insistiu para que ela o tomasse várias vezes durante a noite. "Fiquei surpresa porque, sendo médico, ele me disse 'tome esses comprimidos', mas pensei 'é cultural'.
Nas palavras da vítima, essa medicação "era como tomar burundanga": "Você não se lembra, você toma por impulso. Seu cérebro se desliga, mas seu corpo ainda está acordado.
"EU DISSE NÃO".
A mulher disse que depois do jantar, durante o qual ela bebeu "meia taça de vinho", eles foram a um bar administrado por um amigo e beberam "três mojitos sem álcool", enquanto o acusado bebeu "quatro cervejas". No bar, ele colocou a mão na perna dela, mas lhe disse: "Não precisa tocar". Ele também tentou beijá-la na rua e ela recusou: "Eu disse que não, ele respeitou e pronto".
Depois de uma caminhada, eles foram para um apartamento onde ela tomou o restante de seus medicamentos, pois eram 4h30 da manhã e ela achou que deveria ir embora. No entanto, ela ficou para dançar e, nesse momento, ele tentou colocar a mão em suas nádegas, o que ela recusou.
Pouco tempo depois, sentada no sofá, começou a perceber que não conseguia falar, que podia ouvir, mas que estava "adormecendo". Ela também disse que o próprio acusado lhe disse que "havia feito coisas ruins em seu país". Apesar de achar que tinha que sair de casa, ela adormeceu.
"EU NÃO TIREI MINHAS ROUPAS".
Em um determinado momento, ela conseguiu abrir um pouco os olhos e viu como ele direcionava os dedos para seus órgãos genitais. Ela também disse que notou como ele tirou seu vestido.
Depois de um tempo, ela acordou novamente, já na cama, quando percebeu que ele tentava penetrá-la. "O que você está fazendo?", ela gritou, depois foi ao banheiro, perguntou por suas roupas e ele insistiu que ela mesma as havia tirado. "Mas tenho certeza de que não tirei minhas roupas", acrescentou ela perante os magistrados.
Quando questionada por seu advogado, ela insistiu que o fato de o suposto agressor ser médico "lhe dava segurança" e que era por isso que ela tomava a medicação em casa.
Depois, de acordo com seu depoimento, a vítima foi para casa e ligou para vários amigos antes de ir ao hospital e à polícia para registrar uma queixa. Dias depois, ela percebeu que tinha "marcas de dedos" em sua coxa e as relatou "ao tribunal".
DEPOIMENTO DE TRÊS AMIGOS
Três amigos da reclamante também depuseram perante a Audiência nesta quarta-feira, como testemunhas, um deles por via telemática, de um tribunal nas Astúrias.
As três ratificaram que, na manhã seguinte, ela lhes disse por mensagem e telefonema "que havia sido agredida e que iria à polícia". "A pobre coitada ficou arrasada", disse um de seus amigos.
Além disso, dois deles reiteraram que a medicação que ela estava tomando "a deixava sonolenta, grogue". Uma amiga disse que "anos antes" isso havia acontecido com ela em um restaurante e que ela teve de ser levada para casa.
Da mesma forma, depois do que aconteceu com a acusada, todas as testemunhas concordaram que a viam como "sem graça" e "triste".
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