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Eles falam de implantação "extra-regional", sem mencionar Washington, em um documento que conta com a oposição de aliados do país norte-americano, como Argentina, Equador, El Salvador, Guiana e outros.
MADRID, 5 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, emitiu na quinta-feira uma resolução apoiada por cerca de vinte dos 33 países que compõem a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), expressando sua "profunda preocupação" com o desdobramento militar "extra-regional", em referência às últimas manobras do Exército dos Estados Unidos na região, particularmente nas águas caribenhas ao largo da costa da Venezuela.
O presidente enfatizou que "a grande maioria dos membros da CELAC está se comprometendo com a paz na América Latina e no Caribe" ao apoiar uma declaração na qual eles "expressam sua profunda preocupação com o recente destacamento militar extra-regional na região" e enfatizou que esse não é um comunicado oficial da organização, já que "uma minoria se opôs a ele": Argentina, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Jamaica, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Em sua carta, os outros 21 Estados pediram "a promoção de um ambiente seguro" e reiteraram "seu firme compromisso com a defesa da paz, da estabilidade, da democracia e do desenvolvimento em toda a região".
Nesse sentido, lembraram que "a América Latina e o Caribe foram proclamados como Zona de Paz", o que inclui o apoio à "proscrição da ameaça ou do uso da força, à solução pacífica de controvérsias, à promoção do diálogo e do multilateralismo, ao respeito irrestrito à soberania e à integridade territorial, à não interferência nos assuntos internos dos Estados e ao direito inalienável dos povos à autodeterminação".
Eles também fizeram eco ao Tratado para a Proibição de Armas Nucleares, conhecido como Tratado de Tlatelolco, que "tornou nossa região a primeira zona densamente povoada do mundo livre desse tipo de armamento", o que eles destacaram como um "marco histórico".
No entanto, esses países, que incluem, além da Colômbia e da Venezuela, o Chile, o Uruguai, Cuba, México e Brasil, reconheceram que "o crime organizado transnacional e o tráfico de drogas constituem uma ameaça significativa para a conquista de sociedades pacíficas e inclusivas" e, nessa linha, demonstraram sua disposição de combatê-los "como prioridade, aumentando a cooperação regional e internacional (...) no âmbito do respeito ao direito internacional".
A mensagem de Petro ocorre em meio às crescentes hostilidades entre Caracas e Washington na esteira das manobras do governo de Donald Trump, que chegaram ao ápice no início desta semana com um ataque militar dos EUA a um navio na costa venezuelana que supostamente transportava drogas e matou onze "terroristas do Trem de Aragua", no que as autoridades venezuelanas denunciaram como onze "execuções extrajudiciais".
Na mesma quinta-feira, o Departamento de Defesa denunciou que dois aviões militares venezuelanos sobrevoaram um navio da Marinha dos EUA, no que considerou uma "ação altamente provocativa", e advertiu o governo de Nicolás Maduro a não "interferir" em suas operações contra o "narcoterrorismo".
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