EUROPA PRESS - MARTA FERNÁNDEZ JARA
MADRID 19 maio (EUROPA PRESS) -
A jornalista Maribel Vilaplana, que almoçou e conversou com o então presidente da Generalitat, Carlos Mazón, no dia da tragédia da tempestade, afirmou nesta terça-feira não saber por que foi convocada ao Congresso para prestar depoimento sobre o que aconteceu em 29 de outubro de 2024, explicou que não sofreu pressões por parte do PP e que não se sentiu utilizada pelo governo valenciano. “Não estou sendo coagida, apontada nem ameaçada”, disse ela.
No entanto, no início de sua audiência perante a comissão do Congresso que investiga a catástrofe que deixou 230 mortos na província de Valência, ela deixou claro que não tem “nada de novo a acrescentar” em relação ao que já disse no tribunal de Catarroja, declaração à qual se referiu em todos os momentos.
Respondendo em valenciano à deputada do Compromís, Águeda Micó, ela destacou que comparece ao Congresso “livre” e assumindo sua “responsabilidade”, mas que não poderia contar nada de novo. “Não sei de mais nada, por mais que se possa especular, é isso que há, não há mais nada”, argumentou, lembrando que, em seu depoimento, respondeu a todas as perguntas de todas as partes.
“Assumi minha responsabilidade, compareci a um tribunal e cumpri meu dever. Colaborei em tudo, contribui com tudo o que sabia e mais, e não fiquei por aí a dar voltas”, acrescentou a jornalista, após demonstrar seu respeito pelo trabalho dos comissários, mas adiantando que não poderia fornecer novos dados e que as dúvidas sobre o comportamento de Mazón naquele dia deveriam ser dirigidas a ele.
NÃO INTERFERIR NA INSTRUÇÃO
Ela invocou a “prudência” e a “responsabilidade” para não “interferir” em um processo judicial que é “extremamente complexo” e que, do seu ponto de vista, é “absolutamente necessário” para esclarecer o que aconteceu.
No entanto, aproveitou para ressaltar que “não é nada agradável” ser intimada por uma comissão de investigação, que passou por um “ano e meio extremamente difícil” e que só quer que tudo “acabe”. Ela também manifestou seu desejo de que tudo o que aconteceu em 29 de outubro de 2024 seja esclarecido e valorizou a investigação judicial, no âmbito da qual, segundo ela, respondeu a questões pelas quais nem sequer havia sido intimada.
Nesse contexto, ela quis deixar claro que não mudou de posição. “É que os fatos não mudaram. Há uma versão que é a que eu posso apresentar; não posso falar em nome de outro senhor; esta é uma comissão de investigação política e eu não tenho nenhuma responsabilidade política", sublinhou, quando questionada sobre Mazón.
“Não sei o que estou fazendo aqui”, chegou a dizer Vilaplana, ressaltando que não podia “responder a nada” porque a investigação “diz respeito a cargos políticos com responsabilidade em emergências”. “Chegou a um ponto em que já sei quando meu nome aparece para contar algo e sei quando meu nome aparece para encobrir algo”, comentou.
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