CÓRDOBA 21 out. (EUROPA PRESS) -
Um estudo da Universidade de Córdoba (UCO) defende a alfabetização midiática e o treinamento de estudantes diante dos problemas decorrentes da disseminação de vídeos de biodiversidade criados pela Inteligência Artificial (IA), pois eles podem gerar confusão e ameaçar sua conservação.
Segundo a instituição acadêmica em nota, está circulando nas redes sociais um vídeo em que um leopardo entra no pátio de uma casa onde uma criança está brincando e um gato enfrenta o leopardo e o afugenta, protegendo a criança. O vídeo tem mais de um milhão de curtidas e foi compartilhado mais de 15.000 vezes.
Outra série de vídeos mostra ursos ou veados pulando em um trampolim em um jardim. Em outro, três guaxinins descem um rio sobre três crocodilos. Todos esses são vídeos criados por inteligência artificial que, graças a uma alta dose de realismo, parecem reais.
Dada a proliferação desse tipo de vídeo e a falta de estudos sobre o assunto na literatura científica, os pesquisadores do grupo Gesbio da UCO José Guerrero, Francisco Sánchez, Antonio Carpio, Rocío Serrano e Tamara Murillo se concentraram nesse problema, analisando as diferentes consequências que esses vídeos gerados por IA têm sobre o conhecimento e a conservação de espécies selvagens.
Os principais problemas detectados após a análise dos vídeos mais compartilhados nas redes são: a percepção errônea dos animais selvagens (é muito improvável que um leopardo pule no pátio de uma casa e que um gato o enfrente), a atribuição de características e comportamentos humanos aos animais e o aumento da desconexão entre a sociedade e o mundo natural.
"São refletidas características, comportamentos, habitats ou relações entre espécies que não são reais. Por exemplo, vemos predadores e presas brincando. Eles mostram animais com comportamento humano que está muito distante da realidade", explicou José Guerrero. "No vídeo da criança brincando no parquinho e do leopardo, é gerado um clima negativo para a conservação de uma espécie como o leopardo, que você nunca encontraria naquela situação", explicou.
"Se estamos falando do fato de que já existe uma desconexão total entre os cidadãos e a vida selvagem, o que é evidente em crianças do ensino fundamental, como vimos no projeto 'IncluScienceMe', que demonstra a falta de conhecimento da fauna local pelas crianças mais jovens, esses vídeos geram uma falsa conexão com a natureza. Espécies vulneráveis parecem mais abundantes com esses vídeos e isso é negativo para a conservação", disse Rocío Serrano.
Esses vídeos também geram frustração entre as crianças, que esperam sair para o campo e encontrar uma capivara ou ser saudadas por um animal selvagem. "Se as crianças vão para o campo e não encontram esses animais com características e comportamentos mais carismáticos ou mágicos, isso tem o efeito oposto em termos de conexão", disse ela.
Levando em conta que na infância a principal forma de aprendizado é por meio de imagens, é gerada uma imagem distorcida. Além disso, o aumento do uso das redes sociais como fonte de informação (especialmente entre os jovens) aumenta o impacto negativo desses vídeos.
"Outro problema sério é a demanda por espécies exóticas como animais de estimação", diz Tamara Murillo. A exposição a esses animais exóticos e carismáticos com atitudes amigáveis faz com que cada vez mais pessoas queiram mantê-los em casa.
As estratégias propostas pela equipe incluem a alfabetização midiática, que fornece aos cidadãos as ferramentas para questionar e verificar as informações por meio de fontes verdadeiras, e "tentar introduzir o conhecimento ambiental no conteúdo das disciplinas escolares, com conceitos como autóctone, o que é uma espécie exótica e que, desde cedo, eles entendam que não há leões aqui", observou Francisco Sánchez.
Esse trabalho qualitativo, publicado na seção 'Conservation Issues' da revista Conservation Biology, abre um caminho de estudo que não havia sido explorado até agora e promove mais pesquisas sobre os efeitos do conteúdo gerado por IA na conservação da biodiversidade.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático