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MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS TELEVISÃO) -
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu nesta quinta-feira que sua viagem a Barcelona para participar da cúpula de governos progressistas organizada pelo governo de Pedro Sánchez será uma oportunidade para “continuar dialogando” com as autoridades espanholas, após reconhecer “à sua maneira” que houve abusos durante a Conquista.
Em declarações durante sua coletiva de imprensa diária, a líder mexicana destacou que a viagem à Espanha por ocasião da cúpula “é um momento para continuar dialogando” sobre as divergências surgidas em torno da questão da conquista espanhola do império asteca durante o mandato de Andrés Manuel López Obrador, ressaltando que já houve um reconhecimento por parte do rei Felipe e das instituições espanholas.
“Se não tivesse havido nada, provavelmente não seria minha viagem, mas, tendo havido essas duas ações, considero que são medidas importantes a serem levadas em conta como reconhecimento”, observou ela, após ressaltar que o reconhecimento dos abusos representa uma reivindicação “dos povos indígenas e da grandeza do México” diante da narrativa civilizadora da Conquista.
Sheinbaum destacou que as palavras do monarca espanhol, nas quais ele mencionou que houve “muitos abusos” durante a Conquista, apesar das Leis das Índias adotadas pelos Reis Católicos, somadas às declarações do ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, sobre os “luces e sombras” da presença espanhola na América Latina e da “dor e injustiça para com os povos originários” do México, devem ser “reconhecidas”.
“Essas duas ações realizadas tanto pelo governo espanhol quanto pelo próprio rei devem ser reconhecidas, pois antes não havia nada”, afirmou, ao mesmo tempo em que defendeu continuar a fazer um trabalho de conscientização sobre “o que significou para os povos indígenas a chegada dos espanhóis e a Conquista”, apontando para as “muitas atrocidades” cometidas naquela época.
“Quem não concorda? Pois a direita espanhola, porque continua com a visão de que vieram para civilizar”, refletiu Sheinbaum, insistindo na necessidade de “continuar divulgando” a riqueza e o legado cultural do México.
Diante disso, ela enquadrou sua visita a Barcelona nessa iniciativa. “A decisão de ir a Barcelona e continuar conversando com eles sobre esses temas”, afirmou, para insistir que é igualmente uma boa ocasião para falar sobre a “necessidade da paz mundial e recuperar o espírito da Carta das Nações Unidas”, bem como os princípios da autodeterminação dos povos, a busca pela paz por meio do diálogo e a não intervenção. “É por isso que vamos a Barcelona”, resumiu.
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