Publicado 04/08/2026 12:45

VÍDEO: Bruxelas afirma que a UE “passou no teste” em Ceuta e pede que se acelerem as reformas migratórias europeias

Archivo - Arquivo - O comissário do Interior, Magnus Brunner.
FRANCOIS LENOIR /EUROPEAN COUNCIL - Arquivo

Afirma que o Espaço Schengen “não foi afetado” durante a crise

BRUXELAS, 4 ago. (EUROPA PRESS TELEVISÃO) -

O comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, afirmou nesta terça-feira que a União Europeia “superou o desafio” após a crise migratória em Ceuta, ao conseguir controlar a situação e evitar movimentos em direção ao restante do espaço Schengen, embora tenha defendido que o episódio exige que se tirem “as lições corretas” e se acelere a aplicação das novas políticas europeias em matéria de fronteiras e migração.

“Por enquanto, está claro que a Europa superou o desafio. Essas pessoas não conseguiram entrar no espaço Schengen e a segurança na fronteira foi restabelecida rapidamente. Agora, o fundamental para a União Europeia é agir de forma unida e também tirar as conclusões corretas desses acontecimentos”, afirmou o político austríaco durante a coletiva de imprensa após a reunião extraordinária dos ministros do Interior da UE.

Brunner destacou que o ministro espanhol, Fernando Grande-Marlaska, confirmou durante o encontro que a situação está “sob controle”, que “ninguém entrou no território continental da Espanha” e que o espaço de livre circulação dentro da União “não foi afetado”, ao mesmo tempo em que atribuiu esse resultado à cooperação entre a Espanha, o Marrocos e as instituições europeias.

“A Europa nunca teve tanto controle sobre a migração ilegal nas últimas décadas”, afirmou o comissário, que advertiu, no entanto, que o ocorrido em Ceuta demonstra que “essas imagens dramáticas superam as melhores estatísticas” e que, em sua opinião, o episódio colocou à prova a resiliência europeia e a proteção das fronteiras externas, razão pela qual defendeu o reforço da resposta comum diante desse tipo de situação.

Com base nessa experiência, Brunner defendeu que a prioridade é aplicar “integralmente” o novo Pacto de Migração e Asilo e o regulamento europeu de retornos, com procedimentos de fronteira e repatriações “mais ágeis”, além de aproveitar instrumentos como o conceito de “país terceiro seguro”, que permite tramitar pedidos de proteção internacional fora da UE em determinadas condições.

Da mesma forma, ele se mostrou favorável ao desenvolvimento do plano de cinco medidas proposto pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que inclui reforçar a cooperação com os países de origem e de trânsito, acelerar os retornos, ampliar o apoio da Frontex nas fronteiras externas e em países terceiros, implantar sistemas de alerta precoce contra campanhas de desinformação e movimentos coordenados e reforçar a luta contra as redes de tráfico de migrantes.

ANALISARÁ OS CONTROLES RESTABELECIDOS PELA ITÁLIA

Questionado sobre a decisão da Itália de restabelecer temporariamente os controles na fronteira interna com a Espanha, Brunner lembrou que o Código de Fronteiras de Schengen permite esse tipo de medida de forma “excepcional” e “temporária” quando houver riscos à segurança pública, embora tenha esclarecido que cabe agora à Comissão avaliar se elas atendem aos requisitos de necessidade e proporcionalidade previstos na legislação europeia.

“A situação evoluiu nos últimos dias. Agora sabemos que as pessoas retornaram ao Marrocos e que não houve movimentos em direção ao espaço Schengen. Quando a Itália tomou essa decisão, ainda não dispúnhamos dessas informações”, afirmou o comissário, que evitou antecipar a avaliação de Bruxelas até a conclusão dessa análise.

BRUXELAS APONTA PARA AS MÁFIAS E A DESINFORMAÇÃO

O responsável europeu atribuiu ainda a magnitude da crise à atuação das redes de tráfico de migrantes e às campanhas de desinformação divulgadas pelas redes sociais, ao mesmo tempo em que evitou se pronunciar sobre um eventual papel das autoridades marroquinas antes da entrada em massa em Ceuta, ressaltando que as investigações ainda estão em andamento.

“O que sabemos é que isso foi instrumentalizado por traficantes de seres humanos”, afirmou Brunner, acrescentando que a Europol trabalha em conjunto com as autoridades espanholas para esclarecer a origem dessas mensagens e determinar quem esteve por trás de sua divulgação antes de tirar conclusões.

Assim, ele reconheceu que esta semana colocou a UE “à prova em termos de rapidez, solidariedade e também resiliência diante da desinformação”. “Mas deixem isso claro também. Quando foi necessário, a situação voltou a estar sob controle, e não por acaso, mas por termos agido em conjunto”, acrescentou o comissário.

CENTROS DE RETORNO

Por outro lado, ele confirmou que vários Estados-Membros propuseram, durante o debate, a criação de centros de retorno em países terceiros, uma possibilidade que, como ele lembrou, já conta com base jurídica no novo regulamento europeu, embora tenha insistido que cabe aos governos nacionais decidir se desejam promovê-los.

Além disso, explicou que Bruxelas apoiará essas iniciativas quando os países optarem por elas, embora tenha esclarecido que seu eventual financiamento deverá ser abordado nas negociações do próximo quadro financeiro plurianual. “É uma decisão dos Estados-Membros. Nós fornecemos a base jurídica e, se quiserem utilizá-los, nós os apoiaremos”, precisou.

A MIGRAÇÃO, “ELEMENTO CENTRAL” DO ACORDO COM MARROCOS

Brunner insistiu, além disso, que a cooperação com o Marrocos continuará sendo um pilar da estratégia migratória europeia e confirmou que Bruxelas mantém as negociações para firmar um acordo de associação “completo” com Rabat, no qual a migração constitui “um dos elementos centrais”.

No entanto, ele se recusou a vincular essas conversas aos acontecimentos em Ceuta, embora tenha defendido que a cooperação com as autoridades marroquinas tenha se mostrado “muito importante”, especialmente para facilitar os retornos e recuperar o controle da situação na fronteira.

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