Publicado 11/07/2026 13:02

Verónica Barbero e Rosa Martínez, novas coordenadoras do Movimento Sumar, com 95,92% de apoio

A assembleia aposta em dar mais poder aos territórios, criar um espaço juvenil autônomo e fortalecer as alianças ecossocialistas

A porta-voz do Sumar no Congresso, Verónica Martínez (à esquerda), e a secretária de Estado de Direitos Sociais, María Rosa Martínez (à direita), prestam declarações à imprensa antes do início da Assembleia Anual do Movimento Sumar, em 11 de julho de 2026
Fernando Sánchez - Europa Press

MADRID, 11 jul. (EUROPA PRESS) -

A porta-voz do Grupo Sumar no Congresso, Verónica Martínez Barbero, e a secretária de Estado de Direitos Sociais, Rosa Martínez, foram eleitas coordenadoras do Movimento Sumar com 95,92% dos votos obtidos por sua chapa “Sumar para governar” na assembleia extraordinária realizada neste sábado, informou o partido.

Por sua vez, a proposta político-organizacional obteve 98,96% dos votos dos pouco mais de 300 delegados que compareceram ao evento, realizado no espaço COEM, próximo às Cuatro Torres de Madri.

Além disso, o partido aprovou cinco resoluções. A primeira é a criação de um Espaço Juvenil autônomo, baseado na participação, na independência, na democracia interna e no cuidado coletivo. Dessa forma, o coletivo juvenil do movimento, que constitui uma parte importante do mesmo, passa a ter personalidade jurídica própria, cadastro independente e estatutos próprios, e exigimos representação juvenil em todos os níveis territoriais.

Também foi aprovada a promoção do espaço ecossocialista “Apostamos”, em conjunto com o Partido Verde-Equo e outras organizações, com o objetivo de impulsionar os acordos necessários para consolidar um espaço verde, ecossocialista e trabalhista.

Além disso, comprometem-se a fortalecer as alianças com o conjunto de atores progressistas “a partir da cooperação, do reconhecimento mútuo, do respeito à autonomia de cada organização e da elaboração política compartilhada, como uma contribuição para o fortalecimento do espaço como um todo”.

A assembleia também determinou que “ainda não existe uma democracia plenamente igualitária” devido ao auge dos discursos “antifeministas e reacionários, que buscam questionar os direitos das mulheres e frear os avanços sociais”.

Dessa forma, o Movimento Sumar reivindica um feminismo interseccional, de classe e democrático, vinculado a outras lutas pela igualdade “que melhore as condições de vida das mulheres e que considere a erradicação da violência machista como uma responsabilidade coletiva das instituições e de toda a sociedade”.

CONSELHO DESCENTRALIZADO E CONFERÊNCIA TERRITORIAL TRIMESTRAL

A assembleia também aprovou a criação de um Conselho Territorial “plurinacional e descentralizado” como órgão permanente de coordenação e representação, com a participação de todos os territórios constituídos, cujo regulamento de funcionamento será debatido com as organizações territoriais e aprovado pelo Conselho de Coordenação antes do final de 2026.

Além disso, por meio de uma emenda, a assembleia aprovou a realização de uma Conferência Territorial trimestral, na qual os territórios participarão de forma vinculativa na definição da estratégia política estadual do partido. Seus acordos, quando alcançarem maioria qualificada, deverão ser debatidos e votados pelos órgãos estaduais em um prazo máximo de trinta dias.

Por fim, o movimento também analisou a situação geopolítica internacional, com foco especial no impacto da presidência de Donald Trump à frente dos Estados Unidos e na situação em Gaza, no Irã, na Ucrânia, em Cuba e na Venezuela, entre outros países.

UM PARTIDO EM CRISE

A eleição de Martínez Barbero e Rosa Martínez culmina uma parte do processo iniciado para renovar a liderança do Movimento Sumar e tentar superar a crise interna pela qual a formação passava. Ambas concorreram por meio de uma candidatura única, ampla e com o objetivo de integrar as diferentes correntes do partido.

A assembleia extraordinária, a terceira realizada pela organização em três anos, tinha como objetivo reorganizar o Movimento Sumar, reforçar sua presença territorial e preparar o partido para um novo ciclo político, com o objetivo de renovar o governo de coalizão progressista nas próximas eleições gerais, que deverão ocorrer no ano que vem.

A troca na liderança ocorreu após a renúncia da ex-secretária de Organização, Laura Moreno, que deixou o cargo em meio a críticas a Lara Hernández e revelou a existência de uma investigação interna por suposto tratamento humilhante aos funcionários. O círculo próximo a Hernández negou categoricamente as acusações, mas ela acabou deixando o cargo há alguns dias.

O partido também havia enfrentado outras turbulências desde sua entrada no cenário político, como a saída de Yolanda Díaz do cargo de coordenadora-geral, a renúncia do ex-porta-voz parlamentar Íñigo Errejón após ser denunciado por suposta agressão sexual pela atriz Elisa Mouliáa e a saída de diversos dirigentes.

A nova direção posiciona Díaz como referência política do partido, embora sem qualquer cargo orgânico no partido. A segunda vice-presidente e ministra do Trabalho compareceu neste sábado à assembleia como mais uma participante, após anunciar há alguns meses que também não se candidataria às eleições.

POLÍTICAS COM EXPERIÊNCIA

Rosa Martínez já atuou como coordenadora interina após a renúncia de Díaz e possui experiência política no Podemos e no Verdes Equo. Também foi deputada no Congresso e no Parlamento basco e atualmente ocupa o cargo de Secretária de Estado dos Direitos Sociais.

Por sua vez, Verónica Martínez Barbero foi diretora-geral no Ministério do Trabalho e assumiu a porta-voz do grupo plurinacional Sumar no Congresso como figura de consenso após a renúncia de Errejón.

Ao início desta jornada da assembleia, ambas as líderes defenderam perante a imprensa a construção de uma esquerda mais ampla, capaz de agir com “responsabilidade e visão de longo prazo”, e reivindicaram o papel do Movimento Sumar como elemento de união entre as diferentes organizações do espaço progressista.

Elas também apontaram como prioridades fortalecer a organização, ampliar sua presença territorial e responder a desafios como a desigualdade, a crise ecológica, a tecnologia sem controle e os “tecnooligarcas”. Agora, elas terão que implementar essa estratégia e escolher um candidato-chave com apelo popular para reverter os maus resultados que todas as pesquisas indicam para o Sumar.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado