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MADRID 29 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo venezuelano denunciou nesta quinta-feira um "nível de ameaça sem precedentes" dos Estados Unidos com seu destacamento militar no Caribe, em uma carta dirigida ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pedindo-lhe que "exorte" Washington a pôr fim a essas ações e a respeitar "a soberania, a integridade territorial e a independência" do país latino-americano.
A representação permanente da Venezuela na ONU "entregou uma comunicação oficial" a Guterres, denunciando "os mais recentes e perigosos desdobramentos da política de assédio do governo dos EUA contra (seu) país", anunciou o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, em um comunicado divulgado no Telegram.
"O governo venezuelano deixou claro que essas agressões, que vêm se intensificando nos últimos anos por meio de sanções ilegais, campanhas de difamação, desrespeito às instituições legítimas da Venezuela e perseguição para fins políticos, agora atingiram um nível de ameaça sem precedentes com o destacamento militar dos EUA no Caribe", acrescentou.
Caracas advertiu, em particular, sobre "a presença de destróieres e um cruzador de mísseis, bem como a implantação de um submarino nuclear de ataque rápido" nas águas do Caribe, "a primeira vez na história que ativos militares com capacidade nuclear são introduzidos" no continente.
As autoridades venezuelanas indicaram que "essa ação viola abertamente o Tratado de Tlatelolco, um instrumento que estabeleceu a desnuclearização da região e que também vincula os Estados Unidos", além de constituir "uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas".
Nesse sentido, advertiram que "a introdução de um componente nuclear no Caribe prejudica a estabilidade hemisférica, corrói a confiança no regime internacional de não proliferação e desarmamento e põe em risco a paz e a segurança internacionais".
Por todas essas razões, pediu a Guterres que assumisse suas competências e "exortasse o governo dos Estados Unidos a cessar suas ações hostis e a respeitar a soberania, a integridade territorial e a independência política da Venezuela", assegurando que "os povos não aceitariam a inação da comunidade internacional diante de uma ameaça dessa magnitude".
Ele também garantiu que a Venezuela "jamais aceitará a imposição da força ou a violação de seus direitos inalienáveis", apesar de sua "fiel vocação para a paz".
Nas últimas semanas, o governo de Donald Trump intensificou a pressão sobre a Venezuela, primeiro aumentando a recompensa por informações que levem à prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro para US$ 50 milhões (42 milhões de euros), e agora com o envio de navios para a costa do país.
Os EUA alegam que a chegada de seus três navios de guerra faz parte de uma campanha contra o tráfico de drogas, um crime que acusam Maduro de cometer. Embora o ministro do Interior, Diosdado Cabello, tenha descartado a possibilidade de uma invasão, o governo venezuelano anunciou o envio de 4,5 milhões de pessoas para fazer parte das milícias populares.
A possibilidade de uma invasão também foi sugerida pela oposição fora do país. Nesta semana, o ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, afirmou de Madri que os militares dos EUA não haviam sido enviados para a costa caribenha da Venezuela para "observar golfinhos".
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