Publicado 02/05/2026 18:32

A Venezuela comparecerá às audiências da CIJ no litígio territorial que mantém com a Guiana

Archivo - Arquivo - Sede do Tribunal Internacional de Justiça em Haia, Países Baixos (arquivo)
CIJ-ICJ/UN-ONU, CAPITAL PHOTOS/FRANK VAN BEEK

MADRID 2 maio (EUROPA PRESS) -

O Governo da Venezuela anunciou que comparecerá às “audiências do processo instaurado”, que serão realizadas a partir de 4 de maio na Corte Internacional de Justiça (CIJ), com relação à disputa territorial que mantém com a Guiana, apesar de não reconhecer tal Corte e considerar o caso aberto a pedido da Guiana uma violação do Acordo de Genebra.

“A República Bolivariana da Venezuela informa sobre sua participação, a partir deste 4 de maio de 2026, nas audiências do processo instaurado unilateralmente pela República Cooperativa da Guiana perante a Corte Internacional de Justiça, em claro desrespeito e violação do Acordo de Genebra e do direito internacional”, destacou o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, em comunicado publicado nas redes sociais.

O documento reitera a posição de Caracas de não reconhecer a CIJ no que diz respeito ao litígio sobre o que denomina Guayana Esequiba e relembra o resultado do referendo consultivo realizado na Venezuela em 3 de dezembro de 2023.

"Fiel à sua posição histórica e ao mandato popular expresso no referendo consultivo de 3 de dezembro de 2023, a Venezuela ratifica que não reconhece a jurisdição da Corte na controvérsia territorial sobre a Guayana Esequiba, nem a decisão que esta possa adotar sobre o assunto. Portanto, sua participação nessas audiências não implica, de forma alguma, seu consentimento nem o reconhecimento de tal jurisdição”, destaca o comunicado.

Além disso, enfatiza que “a Venezuela comparece a essas audiências apenas para mostrar ao mundo a verdade sobre os direitos que, desde sua fundação, lhe correspondem sobre o território da Guayana Esequiba”.

"A única solução possível para a controvérsia territorial, no âmbito do Direito Internacional, encontra-se no Acordo de Genebra", sublinha o comunicado, que destaca que a Venezuela "nunca renunciará ao território que lhe pertence desde a sua fundação".

O território reivindicado por Caracas é administrado pela Guiana, de acordo com uma sentença arbitral de 1899. Georgetown considera que a zona foi adquirida pelo Reino Unido por meio de um acordo com os Países Baixos em 1814 e que a Venezuela deve aceitar as fronteiras estabelecidas pela referida sentença.

Por sua vez, Caracas defende que o atual Acordo de Genebra reconhece as alegações venezuelanas de que a sentença foi um suposto acordo político entre os britânicos e o jurista russo Friedrich Martens, que fazia parte do tribunal e cujo voto foi decisivo para a decisão.

Para a Venezuela, que se independizou da Grande Colômbia em 1830, é o curso do rio Esequibo que delimita a fronteira. Durante o mandato do presidente Nicolás Maduro, as autoridades elegeram um governador para o território disputado após a realização de eleições legislativas em maio de 2025.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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