MINISTERIO DEL INTERIOR DE VENEZUELA - Arquivo
Cabello questiona a versão de Washington e diz que o objetivo dos EUA é a "mudança de regime" em Caracas
MADRID, 4 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, acusou os Estados Unidos de cometer onze "execuções extrajudiciais" com o bombardeio de um barco que supostamente transportava drogas na costa venezuelana, ao mesmo tempo em que lançou dúvidas sobre a versão de Washington sobre o que aconteceu e disse que o objetivo dos EUA é a "mudança de regime" em Caracas.
Cabello disse durante seu programa 'Con el mazo dando', transmitido pela Venezolana de Televisión (VTV), que as autoridades norte-americanas deveriam "esclarecer" os detalhes da operação. "Isso não é convincente. Gera dúvidas para onde quer que você olhe. Não há como acreditar em nada disso, além da história", disse ele.
"Se eles realmente fizeram isso, mataram onze pessoas sem uma fórmula de julgamento. Eu me pergunto se isso pode ser feito", disse o ministro do Interior da Venezuela. "Vamos supor, em um exercício, que eram drogas, que onze pessoas estavam lá e foram baleadas. Será que eles têm o direito de matar uma pessoa? Suas próprias leis os proíbem de fazer isso", reiterou.
"O vídeo, o que eles estão dizendo, é uma prova contra eles. Eles assassinaram onze pessoas (...). Eles estão declarando seu assassinato. É desastrado", disse ele, argumentando que a Venezuela teria sido acusada desses atos se tivesse agido da mesma forma em suas operações antidrogas.
Ele disse que a Venezuela "pode falar" sobre essa operação americana e as dúvidas sobre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar o bombardeio, em vez de proceder a uma interceptação em suas águas. "Não somos cúmplices de nada disso, nem do narcotráfico nem das execuções em alto mar", enfatizou.
Cabello também criticou o fato de que "quando a notícia foi divulgada, a palavra 'suposto' desapareceu do dicionário da imprensa mundial". "Ninguém disse 'suposto navio', 'supostas drogas', 'supostos mortos'. Tudo era dado como certo", explicou, antes de criticar os Estados Unidos por "anunciar pomposamente que onze pessoas haviam sido mortas". "Isso é muito delicado", acrescentou.
Durante o programa, o Ministro do Interior também mostrou uma captura de tela do vídeo publicado pelos Estados Unidos para justificar a operação, e questionou o número de pessoas no barco, a presença de drogas e a falta de provas de que o barco havia saído da Venezuela ou para onde estava indo.
Nesse sentido, ele também questionou se o barco "era uma ameaça imediata" que justificasse o bombardeio. "Ele tinha mísseis? Não seja grosseiro, você não pode fazer isso dessa forma. Isso levanta muitas dúvidas (...), porque a luta contra as drogas, onde quer que seja, mas isso parece ter um pano de fundo diferente", argumentou.
Cabello também questionou por que Washington anunciou um destacamento militar na costa da Venezuela para lidar com as supostas operações do Cartel dos Sóis, enquanto a operação se concentrou nos supostos membros do Trem de Aragua.
"AMEAÇA CONSTANTE" CONTRA A VENEZUELA
"Por que eles mudaram a narrativa de uma só vez? É muito difícil convencer o mundo de que a Venezuela é um narcoestado e eles sabem que isso não tem fundamento", reiterou o ministro, que destacou que a Venezuela está sujeita a "uma ameaça constante, a um cerco do imperialismo e de alguns lacaios".
"Pés de chumbo, nervos de aço, calma e sanidade e máxima mobilização popular", conclamou Cabello, que sustentou que "o imperialismo é assim, sempre se disfarça com mentiras". "Por que a Venezuela é uma ameaça para alguém?", perguntou, ao mesmo tempo em que ironizava o fato de os Estados Unidos recorrerem a uma lei do século XVIII para recorrer à expulsão de venezuelanos do país.
"Os venezuelanos são inimigos dos Estados Unidos por causa de uma lei que eles tiraram do pó. Que coisa maluca de se dizer, sem nada que a sustente", criticou, antes de enquadrar as acusações que envolvem o Trem de Aragua e o Cartel dos Sóis como parte dessa campanha contra Caracas. "Netflix. Eles inventaram um filme para se adequar a eles", disse ele.
Dessa forma, Cabello argumentou que o epicentro do problema do narcotráfico na América do Sul está na "Colômbia, Peru e Equador, que são as frentes de onde saem as maiores quantidades de drogas", ao mesmo tempo em que afirmou que "87% das drogas" que atravessam o Oceano Pacífico para os Estados Unidos passam por essas rotas.
"Se os Estados Unidos ou qualquer país do mundo quiser combater as drogas, ele irá para onde 5% das drogas saem, ou o bom senso lhe diz para ir e lutar onde 87% das drogas saem? "Se você quer combater as drogas, vá para o Pacífico", disse ele.
"Vá para lá, não é por aqui. Na Venezuela, estamos travando uma verdadeira luta contra as drogas", disse Cabello, que argumentou que por trás dessas acusações "há um pano de fundo". "O pano de fundo é um que eles não quiseram assumir, mas o que eles sempre tentaram fazer é mudar o regime na Venezuela, sair da Revolução Bolivariana com mentiras", concluiu.
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