Publicado 03/06/2026 12:25

Varsóvia e Kiev entram em conflito por causa do nome de um batalhão ucraniano acusado de genocídio na Polônia

Archivo - Arquivo - FOTO DE ARQUIVO - 5 de fevereiro de 2026, Ucrânia, Kiev: O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky (à direita) e o primeiro-ministro polonês Donald Tusk depositam coroas de flores no Muro da Memória dos Que Pereceram pela Ucrânia. Foto
-/Ukrainian Presidency/dpa - Arquivo

MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -

A Polônia e a Ucrânia voltaram a entrar em conflito nos últimos dias devido a uma polêmica em torno do nome que uma divisão do Exército ucraniano adotou, o de um grupo nacionalista insurgente que combateu nazistas e soviéticos, mas responsável por massacres na Polônia ocupada pela Alemanha, que Varsóvia identifica como um genocídio.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, concedeu na semana passada a uma divisão militar de elite o título de “Heróis da UPA”, que faz referência ao Exército Insurgente Ucraniano, uma formação ultranacionalista responsável pelo massacre de cerca de 100.000 poloneses nas regiões de Volínia e Galícia Oriental entre 1943 e 1945.

As ações do UPA durante a Segunda Guerra Mundial continuam sendo motivo de profundo desacordo entre Varsóvia e Kiev, a ponto de o presidente polonês, Karol Nawrocki, afirmar que tentaria retirar de Zelenski a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração estatal, que lhe foi concedida em 2023.

Nesta quarta-feira, numa tentativa de acalmar os ânimos, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andri Sibiga, destacou que a escalada do conflito não beneficia nenhum dos dois povos e, ao contrário, fortalece o “inimigo ancestral” que tanto a Polônia quanto a Ucrânia compartilham, que não é outro senão a Rússia, afirmou ele nas redes sociais.

Sibiga justificou que a escolha do nome foi uma decisão dos próprios soldados e que foi concedido devido ao “respeito incondicional” que merecem por arriscarem suas vidas e sua saúde defendendo “toda a Europa da ameaça russa”.

“Eles pagam por isso o preço mais alto. Tenho certeza de que nossos militares não tinham em mente, nem remotamente, nada de antipolonês. Para eles, tratava-se de homenagear aqueles que, há tantos anos, lutaram igualmente contra a Moscou imperial, a ocupação e a repressão bolchevique-comunista”, justificou.

Este novo conflito em torno de episódios do passado segue as políticas de sepultamento do governo ucraniano para homenagear alguns de seus líderes históricos, mas com um passado controverso no que diz respeito também ao seu papel como colaboradores da Alemanha nazista e na repressão contra a população polonesa, como Andri Melnik, cujos restos mortais foram recentemente enterrados em Kiev.

Sibiga argumentou que essas exumações são uma questão de “dignidade” e têm como objetivo dar um novo sepultamento a essas pessoas de acordo com as “tradições cristãs” e, embora reconheça que esses episódios ocupam “páginas complexas” da “história comum”, elas têm o respaldo de investigações e não de slogans políticos.

Por tudo isso, o ministro das Relações Exteriores ucraniano insistiu em se concentrar no que une os dois países, que é esse confronto com a Rússia, em vez de uma luta que inevitavelmente acabará prejudicando-os. “É necessário (...) reduzir o grau de emoção” e “deixar nossa história comum nas mãos de historiadores especialistas”, afirmou.

Por fim, Sibiga agradeceu à Polônia por liderar o apoio à Ucrânia nesta "terrível" guerra e estendeu a mão "para discutir todas as questões, inclusive as mais complexas, em um espírito de compreensão mútua e abertura".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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