BRUXELAS, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, teve que enfrentar as críticas de vários líderes da União Europeia em relação à regularização extraordinária de migrantes na Espanha e seu possível impacto nos demais países-membros, durante uma discussão a portas fechadas na quinta-feira no Conselho Europeu, em Bruxelas, depois que ele manifestou sua rejeição à reforma acordada pelo bloco para endurecer a política de asilo e consolidar a externalização dos centros de deportação em países terceiros.
Entre três e quatro chefes de Estado e de Governo europeus tomaram a palavra, segundo informaram fontes europeias à Europa Press, para responder a Sánchez com reprovações por ter dado início a uma regularização dessa magnitude sem ter consultado previamente os demais Estados-membros. Entre os críticos, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o belga Bart de Wever, mas também a primeira-ministra dinamarquesa, a socialista Mette Frederiksen, de acordo com as diversas fontes consultadas.
A discussão ocorreu na primeira sessão do primeiro dia da cúpula, na qual os líderes receberam a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, cuja instituição havia dado, na véspera, luz verde à controversa reforma. Após parabenizar Metsola pelo sucesso da votação, Sánchez tomou a palavra para manifestar sua oposição aos centros de deportação, uma medida que vai contra a política migratória da Espanha.
Segundo fontes de Moncloa, Sánchez transmitiu aos líderes que a Espanha é contra esses centros destinados à expulsão de migrantes, embora evitem classificá-lo como um confronto, mas sim como uma breve troca de opiniões sobre migração, na qual o chefe do Executivo defendeu a posição espanhola e outros líderes fizeram o mesmo com suas posições.
Diante da resposta de vários parceiros, que criticaram a regularização extraordinária, Sánchez se orgulhou do sucesso do modelo espanhol, que promove uma Europa aberta com uma migração que contribui para o crescimento econômico nacional.
Nesse sentido, as fontes citadas ressaltam que a Espanha aplica integralmente o Pacto de Migração e Asilo da UE, bem como o Regulamento de Dublin sobre os pedidos de asilo de cidadãos de fora da União Europeia.
CRÍTICAS À REGULARIZAÇÃO DA ESPANHA
A política de regularização é uma questão de competência nacional, mas, em consonância com o que foi expresso nos últimos meses pelo comissário de Assuntos Internos, Magnus Brunner, a medida extraordinária adotada pelo governo preocupa vários parceiros, na medida em que pode ter um impacto devido a movimentos secundários das pessoas regularizadas para outros países da União.
De fato, já em fevereiro, Brunner alertou que “cada Estado-membro deve garantir que suas decisões não tenham consequências negativas em outras partes da União Europeia” e que deve assegurar que, caso o migrante se desloque para outro Estado-membro, ele seja devolvido ao país que lhe concedeu a autorização.
Nesse contexto, as fontes consultadas apontam que um dos líderes que expressou suas reservas o fez alertando Sánchez de que regularizar na Espanha pelo menos 500.000 pessoas significa também “ter mais 500.000 migrantes na Europa”, por isso ele teria preferido que a Espanha informasse os demais membros antes de dar esse passo.
O presidente do Governo, no entanto, defendeu, entre seus argumentos, que grande parte das pessoas que se beneficiaram da regularização extraordinária são de origem latino-americana, com laços culturais devido ao idioma, entre outras razões, pelo que não é de se esperar que busquem se mudar para outros países da União.
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