Europa Press/Contacto/Tariq Mohammad
MADRID 9 abr. (EUROPA PRESS) -
Cinco ONGs denunciaram que os compromissos incluídos no plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza — incluindo o cessar-fogo e o acesso à ajuda humanitária — “estão fracassando” seis meses após seu anúncio, com o apoio do Conselho de Segurança da ONU.
Assim, seis meses após o anúncio do cessar-fogo, o enclave palestino continua sofrendo “as mesmas privações deliberadas que durante as hostilidades”, destacou Jeremy Konyndy, presidente da Refugees International, uma das organizações que avaliou os objetivos do tão alardeado plano de Trump.
A proteção de civis, o acesso humanitário, a reconstrução e o desenvolvimento econômico, bem como a liberdade de movimento e o retorno das vítimas são os “compromissos fundamentais” que “infelizmente estão falhando”, assinalaram, juntamente com a Refugees International, o Conselho Dinamarquês para os Refugiados, o Conselho Norueguês para os Refugiados, a Oxfam e a Save the Children.
“A população palestina continua sofrendo privações extremas, fome, ferimentos e mortes devido aos ataques contínuos do governo israelense, às restrições de circulação e aos obstáculos à entrada de ajuda”, denunciaram.
“Os palestinos sofrem diariamente de desnutrição grave e mortes evitáveis porque não têm acesso estável a alimentos ou serviços básicos”, destacou Konyndy, lembrando que tanto os termos do acordo quanto o Direito Internacional exigem a entrada de ajuda em Gaza e que as ONGs possam trabalhar.
A diretora executiva da Save the Children International, Inger Ashing, destacou que pelo menos duas crianças por dia morreram ou ficaram feridas nos seis meses decorridos desde que foi acordado o cessar-fogo para Gaza.
"O acordo não proporcionou proteção real nem criou condições para a recuperação. Até mesmo suas disposições humanitárias — as mais simples de aplicar — continuam bloqueadas”, criticou.
“Estamos preparados para ampliar nossa resposta e apoiar a população de Gaza, mas precisamos que nos permitam trabalhar”, disse ela.
A Oxfam lamentou que as promessas de Trump sobre uma “recuperação extraordinária” tenham ficado paralisadas e que o presidente dos Estados Unidos tenha desviado sua atenção dessa crise. “Ele proclamou um ‘novo dia’ para Gaza”, lembrou a diretora executiva da Oxfam America, Abby Maxman.
Enquanto os palestinos continuam “deitando-se com fome em barracas alagadas, fazendo filas intermináveis para conseguir água potável e morrendo de doenças ou ferimentos (...), o governo de Israel continua bombardeando e bloqueando a entrada de ajuda vital com o apoio dos Estados Unidos”, denunciou.
“Não podemos fingir que não vemos; a população de Gaza precisa do nosso apoio e de pressão sobre nossos líderes para que cumpram suas promessas”, afirmou.
A já sangrenta operação militar de Israel na Faixa de Gaza matou, desde 7 de outubro de 2023, mais de 72.300 pessoas e feriu outras 171.130. Entre essas vítimas estão 735 mortos e mais de 2.000 afetados desde o início do cessar-fogo declarado em outubro de 2025 como parte desse plano de paz.
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