Eduardo Briones - Europa Press - Arquivo
TOLEDO 23 ago. (EUROPA PRESS) -
A cantora Vanesa Martín, que levará sua turnê “Casa Mía” a Toledo no próximo dia 5 de setembro, celebra seus vinte anos de carreira, ciente de que sua música não está a serviço do “algoritmo” e que seus fãs não são “soldados” desse algoritmo, pois “fogem” dessa tendência.
“Estou ciente de que não faço o tipo de música que hoje em dia move fortemente o algoritmo. Acredito que há muitas pessoas que não querem ser soldados desse algoritmo, mas que vêm aos meus shows e fogem dessa moda”, afirmou ela em entrevista à Europa Press.
Para Martín, o sucesso desses 20 anos é poder fazer o que quer, como quer e com quem quer, algo pelo qual ela se sente “muito afortunada”.
Ela não gosta de ficar estagnada, ainda mais “em um mundo em que tudo evolui tão rápido”, e tenta “navegar com equilíbrio”. “Tento não ir tão rápido quanto às vezes se exige, mas também não tão devagar quanto antes”.
Na hora de compor, quando uma emoção surge, ela nunca a evita, porque escrever “nasce de uma sensação, de uma pressão” que a atinge e “sai como um jato”. Em seguida, ela precisa “pegar um violão, o piano”, no quarto, no estúdio, em um avião ou “em um barzinho”, e registrar essa ideia “em uma mensagem de voz no celular”.
Ela tem seus períodos em que sente que tem “mais vontade de se expressar”, mas confessa que não é “metódica” no que diz respeito a definir um momento específico para escrever. “Eu vou escrevendo conforme vou vivendo, conforme algo chama minha atenção — um filme, a história de alguma amiga, a história de algum amigo, algo que me prenda. Isso, mais cedo ou mais tarde, acaba virando uma música”.
O DRAMA DE CEUTA
A cantora revela que “tudo o que aconteceu em Ceuta” a inspirou a escrever uma música que fala justamente sobre se sentir “fora de um lugar, sobre esse recomeço de aprender um idioma, aprender um costume, aprender uma cultura”.
É nesse caso que a cantora, ao contrário da sensação prévia à composição descrita anteriormente, precisa se deter para contar a história, “de uma maneira delicada, bonita e não muito óbvia”. “Aqui eu tenho que pensar mais”, afirmou.
UM LUGAR DE LIBERDADE E RESPEITO
Com sua turnê ‘Casa Mía Plus’, em comemoração aos seus 20 anos de carreira musical, ela resgatou canções antigas que há muito tempo não cantava, renovou o som, atualizou o repertório e a recepção nos shows está sendo “incrível”.
Martín quer que seus fãs vivam seus shows entendendo “Casa Mía” não “como um lugar físico, mas sim como um lugar emocional”, um lugar “onde as emoções convivem, onde a liberdade e o respeito prevalecem acima de tudo”, onde “a identidade de cada um não é julgada”.
“É um lugar onde não há juízes, onde a vulnerabilidade é aceita como algo natural da vida e como um símbolo de força. Pretendo que as pessoas se desconectem nessas duas horas de show e sejam sua versão mais autêntica, como somos em casa”, relatou.
Um espaço onde não haja “nenhum artifício” e onde se possa estar “desnudo de qualquer máscara”. “Ser nós mesmos a 100%”, enfatizou.
Em linha com essa ideia, ela descreve uma sociedade “sujeita a muitos estímulos”, e é por isso que pretende que suas músicas realmente toquem as pessoas que as ouvem. “Por mais estímulos que tenhamos, uma música, esses três minutos, se conectarem com qualquer pessoa, conseguem fazer com que você se sente cara a cara consigo mesma”, afirmou.
REDES QUE GERAM ANSIEDADE
Uma realidade oposta à que se vive nas redes sociais, que restringem e geram “ansiedade” porque muitas pessoas precisam “aparentar perfeição”, desfrutando das melhores “viagens, das melhores refeições e dos melhores planos”, quando “a melhor viagem é conhecer a si mesmo, revelar essa autenticidade e ser capaz de dizer ‘não’”.
“É preciso saber dizer ‘não’, se você não se encaixa no molde de um trabalho, de um relacionamento; saber dizer ‘não’ e saber se afastar. Entendo que não é fácil, eu entendo, mas sim, é preciso parar de ficar olhando tanto para o celular e olhar mais para o pôr do sol”, defendeu ela.
Ela confessa que dizer esses “nãos” ao longo de sua carreira acabou resultando em “grandes sims”. Além disso, ela afirma que se sente à vontade, pois seus 20 anos de trajetória musical lhe permitiram “ter e refinar” suas ideias.
A MULHER NO MUNDO DA MÚSICA
Ela se mostra otimista quanto ao papel que a mulher desempenha no mundo da música e trabalha para “romper muitas barreiras”. “Sonhar, eu sonho; e lutar, eu luto. Luto para conquistar essa igualdade”.
Colegas cantoras como ela — “algumas poucas” —, com carreiras sólidas, trabalham para continuar “quebrando barreiras da sociedade e de uma cultura que vem de uma tradição, por si só, machista”.
“Sim, sou otimista, mas ainda há muito a ser feito. Não podemos desistir. Estaremos lá lutando”, declarou.
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