Mehmet Eser/ZUMA Press Wire/dpa - Arquivo
MADRID, 18 jun. (EUROPA PRESS) -
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, defendeu nesta quinta-feira o acordo preliminar alcançado entre os Estados Unidos e o Irã para a cessação das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, ao qual se seguirão negociações nucleares com prazo de 60 dias e que prevê um fundo de reconstrução dotado de 300.000 milhões de dólares (cerca de 260.000 milhões de euros), ressaltando que Teerã só poderá se beneficiar do acordo “se cumprir” e mudar sua trajetória.
Em entrevista coletiva na Casa Branca, Vance insistiu que “a única maneira de os iranianos obterem recursos é se cumprirem integralmente o acordo e mudarem seu comportamento”, destacando que “nem um único centavo” desses fundos de reconstrução provém dos Estados Unidos, ressaltando que não decorrem obrigações em relação a essas iniciativas financeiras que Washington lançará em conjunto com seus parceiros regionais.
Nesse sentido, ele destacou que o memorando de entendimento firmado com Teerã leva a uma situação em que os Estados Unidos “sempre ganham”. “Se os iranianos não mudarem seu comportamento, seu programa militar e nuclear continuará destruído. Se mudarem seu comportamento, então terão uma relação transformadora com o Oriente Médio”, descreveu.
Vance, nesse sentido, classificou o acordo como uma “vitória” para o povo americano, “independentemente da opção que os iranianos venham a escolher”.
Quanto às implicações na região, o “número dois” de Donald Trump ressaltou que os aliados dos Estados Unidos afirmam que o acordo é “incrivelmente transformador” porque, “aconteça o que acontecer, nós e a região em geral saímos ganhando”, já que o Irã ficou “enfraquecido” e seu programa nuclear “destruído”, enquanto sua economia está “em uma situação desesperadora”; por isso, ele previu que eles terão que se abrir para os países da região.
FRENTE DO LÍBANO
Questionado sobre a situação no Líbano, que está incluído no acordo firmado com o Irã, mas onde Israel já anunciou que manterá sua presença militar, o vice-presidente norte-americano afirmou que o objetivo é manter “a paz regional”, embora tenha reconhecido o direito de Israel à autodefesa.
“O que esperamos é que o Hezbollah não esteja lançando foguetes nem drones contra os israelenses, e também esperamos que os israelenses não ajam de forma descontrolada no Líbano”, confessou, ressaltando que “ambas as partes precisam cumprir sua parte do acordo”.
De qualquer forma, ele reconheceu que manter o cessar-fogo é “um pouco complicado” e adiantou que os Estados Unidos terão que lidar com “pequenos surtos de violência de vez em quando”, ressaltando que será necessário canalizá-los por meio do processo diplomático.
Assim, embora tenha afirmado que “ninguém pode privar outro país de seu direito à legítima defesa”, ele ressaltou que Israel, “como todos os outros”, “tem que respeitar esse processo de paz”, que é “fundamentalmente benéfico para eles e para toda a região”.
Vance chegou a reconhecer que o presidente se sentiu frustrado com as ações de Israel, que atuou “em áreas densamente povoadas por civis em Beirute”, quando “muitas pessoas que não têm nada a ver com o Hezbollah perdem a vida”. “Isso não é aceitável. É exatamente o tipo de situação para a qual solicitamos uma coordenação mais estreita, a fim de garantir que isso não volte a acontecer”, resumiu.
CONTROLE DO ESTREITO DE ORMUZ
Sobre o controle do Estreito de Ormuz, uma vez que o acordo estabelece que o Irã manterá um diálogo com Omã “para definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em consulta com os demais Estados ribeirinhos do Golfo Pérsico”, Vance minimizou a possibilidade de Teerã controlar o tráfego ou impor pedágios.
Assim, ele defendeu que haja um trabalho conjunto na região para estabelecer um quadro de segurança adequado para os estreitos. “Não queremos que algo assim volte a ocorrer jamais. Não se trata de impor pedágios nem taxas. Trata-se de garantir que os estreitos nunca mais sejam utilizados como um ponto de estrangulamento para a economia mundial”, ressaltou.
Vance enfatizou, assim, que Washington trabalhará para que o acordo final com o Irã “reflete esse princípio”. “Se isso não estiver refletido no acordo final, então não haverá acordo final”, enfatizou.
Por tudo isso, o vice-presidente norte-americano afirmou que o “ponto estrutural fundamental” da negociação é que os Estados Unidos “têm todas as cartas na mão”. “Se os iranianos querem obter os benefícios do acordo, precisam nos dar o que é necessário para ter acesso a esses benefícios”, concluiu.
O acordo preliminar alcançado entre os Estados Unidos e o Irã prevê uma trégua de 60 dias, que será o prazo para negociar um acordo final que inclua a questão nuclear iraniana, acompanhada pela reabertura, sem pedágios, do Estreito de Ormuz e pela criação de um fundo de reconstrução dotado de 300.000 milhões de dólares (cerca de 260.000 milhões de euros).
O pacto foi duramente criticado por senadores do Partido Republicano do próprio Trump, que atacaram o acordo firmado com o Irã, considerando-o uma concessão às pressões de Teerã, que sai fortalecida em seu impasse no Estreito de Ormuz e terá acesso aos fundos de reconstrução.
Além do acesso ao fundo, Washington, até que o acordo final seja assinado, prevê aprovar isenções às sanções relativas à exportação de petróleo bruto, derivados de petróleo e outros produtos petroquímicos, bem como a todos os serviços associados às transações petrolíferas. Da mesma forma, compromete-se a liberar fundos congelados e bens do Irã no exterior com base na aplicação do pré-acordo firmado entre Trump e Pezeshkian.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático