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MADRID, 4 mar. (EUROPA PRESS) -
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou nesta terça-feira a posição dos países da União Europeia (UE) sobre a invasão russa na Ucrânia e disse que o presidente norte-americano Donald Trump "está adotando uma perspectiva muito mais realista" ao tentar pressionar por um acordo de paz para acabar com a guerra, que "não pode durar para sempre".
"Acho que nossos amigos europeus, francamente, estão prestando um desserviço aos ucranianos, porque seu próprio povo está dizendo que não vamos financiar essa guerra indefinidamente", disse Vance em uma entrevista à Fox News após o confronto público na Casa Branca entre Trump e seu colega ucraniano, Volodimir Zelenski.
Nesse sentido, ele enfatizou que "o povo americano está dizendo que não queremos financiar a guerra indefinidamente, então a única coisa que é do interesse dos Estados Unidos, da Rússia, da Ucrânia e da Europa é acabar com isso", antes de lamentar que, quando Zelenski "vai para a Europa", "muitos" líderes europeus "o inflacionam", descrevendo-o como "um combatente da liberdade" e informando-o de que "ele tem que continuar lutando para sempre".
"Lutar para sempre com o quê? Com as mãos de quem? Com o dinheiro de quem? Com a munição de quem? Com as vidas de quem?", perguntou Vance, que insistiu que Trump "está tendo uma visão muito mais realista e dizendo que isso não pode continuar para sempre".
Vance reiterou que há "um problema" nos países europeus, "muitos dos quais são amigos, são aliados". "Eles precisam ser realistas. A coisa mais louca de todas é que há momentos em que os chefes de Estado europeus batem no peito em público e dizem que estarão com Zelenski pelos próximos dez anos", disse ele.
"Depois, em particular, eles pegam o telefone e dizem que isso não pode continuar para sempre. Ele (Zelenski) tem que ir para a mesa de negociações", disse ele, enfatizando que os europeus "devem dizer a Zelenski que isso não pode continuar para sempre". "O derramamento de sangue, as mortes, a devastação econômica, é pior para todos", acrescentou.
Ele enfatizou que "o único que tem uma estratégia é o presidente dos Estados Unidos e todos devem seguir sua liderança". "Assusta-me o fato de Zelenski dizer que isso vai continuar por anos, quantas vidas mais serão perdidas", questionou. "Ele não vai ter um país para salvar quando tudo acabar", ressaltou.
"Não podemos financiar isso para sempre. Os ucranianos não podem lutar para sempre. Então, vamos levar isso a uma solução pacífica", disse ele, enquanto expressava suas "dúvidas" sobre a possibilidade de que os países europeus "financiem a guerra no nível que (o ex-presidente Joe) Biden e (a ex-vice-presidente Kamala) Harris fizeram".
Dessa forma, ele se posicionou com Trump em suas declarações de que a Ucrânia "não tem cartas na mão" no momento, antes de insistir que "as pesquisas" na Europa mostram que "os europeus não vão aguentar isso para sempre". "Temos que encerrar essa questão com um acordo pacífico", reiterou.
"São necessários dois para dançar o tango", argumentou Vance, que novamente criticou a Ucrânia por sua postura, especialmente durante a tensa reunião de sexta-feira entre Trump e Zelenski. "É necessário ter um parceiro de negociação nos ucranianos", disse ele, embora reconhecendo que Kiev pode ter suas "posições" sobre a situação.
FALTA DE "VONTADE" DA UCRÂNIA
"É claro que nem sempre eles vão concordar conosco, mas têm que participar da conversa, e eles não tiveram essa vontade", explicou em referência ao confronto no Salão Oval, depois de defender a posição de Trump e garantir que durante cerca de meia hora o líder americano "tentou ser simpático com Zelenski".
Nesse sentido, ele sustentou que Trump manteve essa posição "mesmo quando Zelenski estava tentando agitá-lo". "Ele tentou ser diplomático. É seu instinto natural nessa situação", disse, antes de indicar que a situação "saiu do controle" depois de uma resposta do próprio Vance que fez com que o presidente ucraniano "explodisse".
"O que tentei fazer em um primeiro momento foi desarmar um pouco a situação", disse, argumentando que havia presença da imprensa, antes de indicar que Trump optou por "não ter mais essa conversa em particular" e ressaltar que seu objetivo era "ter essa conversa em público para a população americana ver".
Ele também enfatizou que Zelenski não tinha "respeito" e que mantinha uma posição de "privilégio". "Podemos deixar tudo isso de lado, mas o presidente estabeleceu uma meta muito clara para esta administração. Ele quer que a matança pare", explicou.
"É muito importante que Zelenski e, é claro, o presidente (russo) (Vladimir) Putin, vão para a mesa de negociações. Foi aí que as coisas fracassaram. Não me importo com o que Zelenski diz sobre mim ou qualquer outra pessoa, mas ele mostrou uma clara falta de vontade de participar do processo de paz que Trump disse ser a política do povo americano", enfatizou.
"Acho que Zelenski não estava nesse ponto e acho que, francamente, ele ainda não está nesse ponto, mas chegará lá em algum momento. Tem que chegar", disse Vance, que afirmou que o evento foi planejado para ser "cerimonial" para a assinatura de um acordo sobre exploração mineral na Ucrânia em troca do apoio de Washington.
GARANTIAS DE SEGURANÇA
Vance disse que o pacto "realiza duas coisas importantes". "Ele devolve ao povo americano parte de seu dinheiro, mas também mostra ao povo ucraniano que os Estados Unidos têm um investimento de longo prazo em sua soberania", disse ele. "Entendo a frustração. Entendo a raiva. É o país deles. É claro que não é o nosso", admitiu.
"A melhor garantia de segurança é dar aos americanos uma participação econômica no futuro da Ucrânia. Essa é uma garantia de segurança melhor do que 20.000 soldados de um país aleatório que não luta em uma guerra há 30 ou 40 anos. A garantia de segurança e a garantia econômica para a Ucrânia é reconstruir o país e assegurar que os Estados Unidos tenham um interesse de longo prazo", acrescentou.
"Temos que aceitar que cabeças mais frias devem prevalecer. Isso não pode continuar para sempre", reiterou, antes de observar que os "líderes" internacionais, incluindo "ucranianos e europeus", "comunicam em particular que isso não pode continuar para sempre". "Não há vidas ucranianas suficientes. Não há dinheiro americano suficiente nem munição suficiente para financiar isso", disse ele.
Por outro lado, ele defendeu a aproximação entre Washington e Moscou e disse que "Biden gastou todo aquele dinheiro e insultou Putin de todas as formas". "É diplomacia. Você precisa ter um relacionamento razoável com alguém para sequer iniciar uma conversa", argumentou, antes de perguntar "como você pode negociar se não consegue falar com alguém".
"Ninguém está propondo dar a Putin o Prêmio Nobel da Paz. O que estamos dizendo é que é importante que Trump possa ter essa conversa. Não se faz isso indo a uma coletiva de imprensa e lançando todos os nomes negativos que existem contra ele. A que isso levou? À guerra, à destruição e ao conflito", enfatizou.
Nessa linha, ele explicou que um processo de paz "não deixará ninguém feliz". "Os russos vão ter que dar coisas. Os ucranianos terão que dar coisas. Não se pode chegar ao Salão Oval e dizer 'dê-nos garantias de segurança, mas não falaremos com você sobre o que queremos conceder'. Essa é a posição ucraniana", disse ele.
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