OVIEDO 15 set. (EUROPA PRESS) -
Um estudo multidisciplinar liderado pela Universidade de Oviedo analisou os efeitos associados à proliferação da samambaia-comum (‘Pteridium aquilinum’) nas Astúrias e detectou a presença de compostos tóxicos na planta e nas águas de áreas com grande concentração dessa espécie. A pesquisa demonstrou a atividade genotóxica de seus extratos e confirmou a preocupação existente no setor pecuário quanto às suas consequências para a saúde do gado, a biodiversidade e o meio ambiente.
Conforme informa a instituição acadêmica em um comunicado à imprensa, o trabalho avaliou o impacto dessa espécie amplamente disseminada no território asturiano, especialmente em zonas montanhosas e áreas de pecuária extensiva. As análises químicas determinaram a presença de pterosinas A e B, produtos da degradação de glicosídeos, bem como de ptaquilósido (PTA) e ptesculentósido (PTE) em brotos jovens coletados em dez regiões da comunidade: Pría, Novellana, Ponga, Picos de Europa, Tineo, Redes, Montes de Urbiés, Las Ubiñas-La Mesa, Somiedo e Degaña.
Por meio de ensaios “in vivo” com “Drosophila melanogaster” e testes em células humanas cultivadas “in vitro”, os pesquisadores comprovaram a capacidade dos extratos aquosos da planta de induzir mutações e alterações genéticas. Além disso, a coleta de amostras no meio aquático revelou a mobilização dessas substâncias para as fontes de água dos ambientes estudados, manifestando atividade genotóxica quando concentradas experimentalmente.
No âmbito da agricultura e pecuária, o projeto incluiu uma pesquisa com 212 profissionais do setor, que refletiu preocupação com a expansão da samambaia nas áreas de pastagem. Cerca de 48% dos entrevistados de Picos de Europa e Ponga relataram mortes de animais associadas ao consumo dessa planta, um fenômeno que se intensifica durante os períodos de altas temperaturas e menor disponibilidade de pastagem.
A equipe científica incorporou ferramentas de teledetecção por meio de imagens obtidas com drones para elaborar mapas de alta resolução que permitam identificar e gerenciar a distribuição da espécie no território.
O projeto contou com a colaboração do Serviço Regional de Pesquisa e Desenvolvimento Agroalimentar (Serida), do Centro Tecnológico Florestal e da Madeira (Cetemas), o Instituto Universitário de Oncologia do Principado das Astúrias (IUOPA) e o Instituto de Pesquisa em Saúde do Principado das Astúrias (ISPA).
“Nossas descobertas não significam que tenha sido comprovado um risco direto à saúde humana decorrente do consumo das águas analisadas, nem permitem atribuir episódios concretos de doença ou mortalidade do gado à samambaia sem um diagnóstico veterinário que estabeleça essa relação”, esclareceu a pesquisadora do Departamento de Biologia de Organismos e Sistemas da Universidade de Oviedo, Elena Fernández González.
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