FOUAD CHOUFANY/UNICEF - Arquivo
A organização indica que cerca de 770 mil crianças correm o risco de sofrer problemas psicológicos devido à exposição constante à violência
MADRID, 14 maio (EUROPA PRESS) -
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) denunciou que cerca de 60 crianças morreram ou ficaram feridas durante a última semana devido aos ataques israelenses contra o Líbano, apesar do cessar-fogo acordado em meados de abril, um período que deixou pelo menos 23 crianças mortas e 93 feridas, segundo dados do Ministério da Saúde libanês.
“Há crianças que morrem ou ficam feridas quando deveriam estar voltando às salas de aula, brincando com seus amigos e se recuperando de meses de medo e perturbação”, afirmou o diretor regional da UNICEF para o Oriente Médio e o Norte da África, Edouard Beigbeder. “Há quase um mês, foi alcançado um acordo para silenciar as armas e deter a violência”, acrescentou.
“A realidade está se mostrando muito diferente. Os ataques contínuos estão matando e ferindo crianças, aprofundando sua exposição ao trauma e deixando consequências devastadoras que podem durar por toda a vida”, declarou.
Assim, a UNICEF indicou que cerca de 770 mil crianças estão expostas à violência, à perda e ao deslocamento, antes de acrescentar que tanto as crianças quanto seus cuidadores apresentam sintomas relacionados ao estresse traumático e ao luto, incluindo medo e ansiedade extremos, pesadelos, insônia e sentimentos de desesperança.
A organização alertou que essas crianças correm sério risco de desenvolver problemas de saúde mental crônicos ou permanentes se não receberem apoio psicossocial em ambientes seguros, diante de uma situação agravada pelas hostilidades atuais e após uma análise da UNICEF em 2025 já ter apontado uma acentuada deterioração da saúde mental infantil após o recrudescimento do conflito no ano anterior.
"O impacto da exposição repetida ao conflito na saúde mental infantil pode ser profundo e duradouro. As crianças no Líbano têm sofrido ondas de violência, deslocamento e incerteza, muitas vezes com pouco ou nenhum tempo para se recuperar”, destacou Beigbeder. “Sem apoio urgente, as cicatrizes psicológicas desta crise agravada podem acompanhá-las por anos, afetando não apenas seu bem-estar, mas também seu futuro e o de todo o país”, acrescentou.
Por isso, a UNICEF destacou que está ampliando os serviços de saúde mental e apoio psicossocial no Líbano, inclusive por meio de espaços seguros e programas comunitários, embora tenha lamentado que as necessidades continuem superando em muito os recursos disponíveis. Nesse sentido, a organização exigiu que as partes em conflito protejam as crianças, respeitem o Direito Internacional Humanitário e adotem todas as medidas necessárias para garantir o cumprimento do cessar-fogo.
Delegações do Líbano e de Israel devem se reunir nesta quinta e sexta-feira, 14 e 15 de maio, em Washington, no terceiro encontro desde que os confrontos entre o Exército israelense e o partido-milícia xiita libanês Hezbollah recomeçaram no último dia 2 de março, dias após a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Desde então, os ataques de Israel no Líbano mataram cerca de 2.900 pessoas e feriram mais de 8.800, de acordo com o último balanço divulgado na quarta-feira pela Unidade de Gestão de Riscos de Desastres, subordinada ao Conselho de Ministros libanês. Esses números, que incluem 108 profissionais de saúde mortos, não pararam de aumentar apesar do cessar-fogo alcançado em abril.
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