Publicado 12/05/2026 09:34

A UNICEF denuncia que 70 crianças palestinas foram mortas e 850 ficaram feridas na Cisjordânia desde janeiro de 2025

22 de abril de 2026, Al Mughayyir, Cisjordânia, Suíça: Um grupo de crianças brinca na área da aldeia de Al-Mughayyir, a leste de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, local onde dois palestinos foram mortos por colonos em 21 de abril.
Europa Press/Contacto/Matteo Placucci

A organização afirma que as crianças “pagam um preço intolerável” pelas operações israelenses e pelos ataques de colonos

MADRID, 12 maio (EUROPA PRESS) -

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) denunciou nesta terça-feira que pelo menos 70 crianças palestinas morreram e outras 850 ficaram feridas na Cisjordânia desde janeiro de 2025 devido ao aumento das operações militares de Israel e aos ataques por parte de colonos israelenses, antes de destacar que a maioria das vítimas foi atingida por munição.

“As crianças estão pagando um preço intolerável pela escalada das operações militarizadas e dos ataques de colonos em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental”, afirmou o porta-voz da UNICEF, James Elder, da cidade suíça de Genebra, ao mesmo tempo em que destacou que isso significa que, em média, pelo menos uma criança palestina morreu a cada semana desde janeiro de 2025.

O UNICEF destacou que 93% das crianças mortas nesse período faleceram às mãos das forças israelenses e ressaltou que os ataques por parte de colonos, por sua vez, atingiram “níveis históricos”, com o maior número de palestinos feridos nesses incidentes nos últimos 20 anos durante o mês de março, segundo dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A isso se soma um “forte aumento” nas detenções de crianças pelas forças israelenses. “Os dados mais recentes indicam que 347 crianças palestinas da Cisjordânia permanecem detidas pelas autoridades militares israelenses por supostos crimes relacionados à segurança, o número mais alto em oito anos”, especificou.

“De forma alarmante, mais da metade dessas crianças, 180, encontram-se sob detenção administrativa e sem as garantias processuais necessárias, incluindo a detenção sem acesso regular a assistência jurídica e sem direito de contestá-la”, destacou.

Assim, Elder sublinhou que “não se trata de incidentes isolados”, mas que “apontam para um padrão sustentado das formas mais graves de violações dos direitos da infância, bem como de ataques contra os lares das crianças, contra suas escolas e contra a água da qual dependem”.

“O que está ocorrendo não é apenas uma escalada da violência contra a infância palestina; é o desmantelamento progressivo das condições de que as crianças precisam para sobreviver e crescer”, observou. “Demolem-se casas. Ataca-se a educação. Destruem-se sistemas de água. Impede-se o acesso aos cuidados de saúde. Restringe-se a liberdade de movimento. Nos últimos 30 meses, foram impostas mais de 900 barreiras e restrições adicionais em toda a Cisjordânia”, enumerou.

NÚMERO RECORDE DE PALESTINOS DESLOCADOS

Nesse sentido, explicou que “como resultado, as crianças da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, ficam frequentemente isoladas de escolas, hospitais e outros serviços essenciais, à medida que a circulação é cada vez mais restringida ou totalmente impedida”.

“As residências se tornaram a linha de frente dos ataques contra a infância”, lamentou, ao mesmo tempo em que destacou que, no primeiro trimestre do ano, mais de 2.500 palestinos foram deslocados de suas casas, incluindo 1.100 menores, um número que representa o total registrado em 2025.

Por outro lado, ele destacou que “a educação também está sujeita a ataques contínuos”, com milhares de crianças indo para a escola com “medo”, incluindo 99 incidentes relacionados à educação até o momento em 2026, entre eles “assassinatos, ferimentos e detenções de estudantes, demolição de escolas, uso militar de prédios escolares e negação de acesso”.

“Em pouco mais de dois anos, até o final de 2025, foram documentados mais de 550 incidentes desse tipo. As escolas, que deveriam ser locais de segurança e estabilidade, estão se tornando cada vez mais espaços de medo”, destacou Elder, que afirmou que esses incidentes representam “graves violações contra meninos e meninas, com consequências de longo prazo para sua segurança, bem-estar e futuro”.

O porta-voz da UNICEF citou ainda dados da OCHA que revelam que “mais de 60 infraestruturas de água e saneamento foram vandalizadas” em 2026, o que “limitou ainda mais um acesso já frágil à água potável”. Isso tem graves consequências tanto para a economia palestina quanto para a saúde, a higiene e a dignidade das crianças. “Os meios de subsistência também estão sendo prejudicados pelo roubo de gado”, argumentou.

Por tudo isso, ele enfatizou que “esses padrões revelam uma realidade generalizada”. “A infância está sendo atacada tanto por meio da violência direta quanto pelo desmantelamento de sistemas e serviços essenciais. Seu sofrimento não pode ser normalizado”, ressaltou Elder.

“O UNICEF apela às autoridades israelenses (...) para que adotem medidas imediatas e decisivas para evitar novas mortes e ferimentos graves de crianças palestinas, e para proteger suas casas, escolas e acesso à água, de acordo com o direito internacional”, afirmou, antes de exortar os Estados “com influência” a “utilizarem sua capacidade de pressão para garantir que o direito internacional seja respeitado”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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