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MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou nesta segunda-feira o fim da paralisação armada em Chocó, no oeste da Colômbia, seis dias após sua imposição, a partir da meia-noite de hoje, como represália pela suposta “conivência” entre as forças de segurança e grupos paramilitares, como o Clã do Golfo.
A Frente de Guerra Ocidental Ogli Padilla do ELN informou que, a partir da meia-noite de segunda para terça-feira, permitirá novamente a livre circulação pelos rios Orpúa, Ijuá e Ocampado, em seu trajeto pelo município de Bajo Baudó.
“Agradecemos aos moradores pelo cumprimento, já que não ocorreram incidentes lamentáveis”, destacou a guerrilha, que voltou a explicar que decidiu restringir a mobilidade em Bajo Baudó para “evitar acidentes de fogo cruzado e dar visibilidade à grave situação humanitária”.
“Os moradores sabem e muitos já viram a presença de mercenários”, assegurou o ELN, que aponta diretamente o comandante de brigada, William Caicedo, como responsável por essa aliança com o Clã do Golfo, bem como o Exército por proibir os moradores de caçar ou pescar livremente.
“Diante desses fatos, não se ouve nenhuma declaração da mídia, muito menos da governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba, que protege e é cúmplice da presença permanente dos mercenários do Clã do Golfo”, criticou a guerrilha em um comunicado.
Por sua vez, Córdoba denunciou que essas restrições afetaram cerca de 6.000 pessoas, que “durante quase oito dias (...) estiveram em confinamento total, com violação de seus direitos fundamentais”.
“Rejeito categoricamente as acusações e calúnias do ELN (...) É meu dever (...) enfrentar a crise permanente gerada pela disputa territorial armada entre todos os grupos no departamento”, destacou ela nas redes sociais, ao mesmo tempo em que anunciou o envio de pessoal médico para a região.
Embora tenha sido a primeira paralisação armada em Chocó desde o início de 2026, a região tem sido palco habitual, nos últimos anos, de uma disputa acirrada entre a guerrilha e outros grupos armados pelo controle do território e das rotas do narcotráfico, principalmente nos municípios de Alto, Médio e Baixo Baudó.
Essa paralisação armada ocorreu três meses após a anunciada em dezembro, em resposta às ameaças proferidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Colômbia, aproveitando o impulso da prisão, no início daquele mês, de seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas.
Aquela paralisação armada de 72 horas deixou pelo menos cinco mortos e afetou cerca de quinze departamentos, com ataques, bloqueios de estradas, explosões, ameaças e restrições à mobilidade da população civil.
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