"Restaurar a sensação de segurança é essencial nos primeiros momentos", ressalta a especialista em emergências
VALÊNCIA, 28 out. (EUROPA PRESS) -
O acompanhamento psicológico às pessoas que passam por tragédias como o acidente ferroviário de Urda (Toledo) é fundamental desde o primeiro momento, pois essas pessoas, em pleno “choque e paralisia”, precisam se sentir “acompanhadas, compreendidas e protegidas”.
É o que destaca, em declarações à Europa Press TV, Belén Colomina, integrante do grupo de emergências do Colégio Oficial de Psicologia da Comunidade Valenciana.
A profissional explicou que, nos primeiros momentos de um acidente como este, é “indispensável que as pessoas se sintam acompanhadas por um apoio prático que possa orientá-las nessa primeira resposta diante do choque, do bloqueio e da desorientação em que se encontram”. “Restabelecer a sensação de segurança é imprescindível nos primeiros momentos”, afirmou.
“Elas precisam saber o que fazer e, para isso, precisam de alguém que lhes transmita calma, respostas eficazes, orientações e, acima de tudo, que compreenda que qualquer reação naquele momento é absolutamente normal”, reflete a psicóloga, que ressalta que cada pessoa reage à tragédia “da maneira que pode”.
Dessa forma, ela descreve que as reações podem variar desde o bloqueio até a tristeza, passando por uma resposta “de fuga, de raiva, de tristeza”. De qualquer forma, trata-se de “emoções altamente intensas” e as pessoas “precisam se sentir acompanhadas para poderem desabafar, organizar e processar o acontecimento que acabaram de viver, que as sobrepasou completamente”. “Há um grande impacto emocional que ultrapassa os seus recursos e, nesse momento, qualquer reação é válida”, insiste ela.
Colomina também enfatiza o sentimento de “desorientação” que as vítimas enfrentam; logo após passar por um evento dessas características, elas precisam de “uma orientação e, acima de tudo, dos canais de informação adequados e corretos para saber o que fazer e onde está seu companheiro, seu filho ou a pessoa que estava no trem ou no vagão ao lado”.
A psicóloga explicou que existem vítimas primárias, que são aquelas que viveram o acidente em primeira pessoa, e também as secundárias, ou seja, aquelas que testemunharam ou vivenciaram a tragédia de mais longe. Todos, ressaltou ela, “precisam de atenção, pois a tragédia os afeta de maneiras diferentes, mas com a mesma intensidade”.
“AUMENTA A VULNERABILIDADE”
Além disso, ela alertou sobre o impacto que essas catástrofes humanas têm na sociedade em geral, já que “o mais normal é que surja o medo em cada um de nós; ao ver uma tragédia e, sobretudo, as imagens, pode-se sentir uma sensação de vulnerabilidade”. “É aí que surgem perguntas como ‘e se eu estivesse lá’ ou ‘se eu tiver que pegar um trem amanhã, a segurança já estará restabelecida?’. Assim, a vulnerabilidade e a insegurança aumentam”, acrescentou.
“Nós, cidadãos, compartilhamos uma humanidade comum, na qual sentimos muita empatia pelas vítimas. E, então, precisamos de respostas eficazes que nos façam entender que se trata de um evento isolado. O medo vai nos levar a somar os eventos, pensando que as estatísticas não servem, mas que a experiência subjetiva é de alta vulnerabilidade e insegurança. Precisamos entender o que aconteceu para compreender que a solução está sendo implementada para restabelecer a segurança para todos, neste caso, nos trens”, explicou.
Em resumo, a especialista destacou que é “indispensável a intervenção psicológica logo nos primeiros momentos para evitar que o trauma se transforme em um trauma complexo”.
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