MADRID, 19 mar. (EUROPA PRESS) -
Dezenas de pessoas se reuniram nesta quarta-feira em frente à sede do governo regional, na Puerta del Sol, para exigir que as 40 casas para idosos a serem construídas na região até 2030 e as que atualmente funcionam como casas subsidiadas sejam "100% administradas pelo poder público".
Os manifestantes, organizados por cerca de quinze organizações, vieram vestidos com faixas e camisetas com proclamações a favor do setor público e se juntaram ao grito de "7.291", referindo-se ao número de mortes sem encaminhamento hospitalar durante a primeira onda da pandemia, um número que o governo regional reduziu na semana passada para 4.100.
Três representantes das organizações organizadoras leram um manifesto no qual repetiram a principal demanda e conclamaram a população a se mobilizar. "Exigimos que essas 40 casas sejam totalmente públicas, com funcionários públicos e mecanismos de participação para residentes, parentes e representantes dos trabalhadores", proclamaram.
"O projeto apresentado pela presidente, Isabel Díaz Ayuso, no Debate sobre o Estado da Região envolveria a transferência de terras públicas pelos municípios, um investimento de mais de 500 milhões de euros e a construção e operação por empresas privadas. É uma operação claramente a favor dos fundos de investimento e das grandes corporações", lia-se em frente à Puerta del Sol.
Nesse sentido, as organizações consideraram que o modelo de parceria público-privada, por meio do qual as residências serão construídas, visa a permitir que "fundos abutres e grandes empresas do setor" façam "grandes negócios às custas da qualidade de vida dos moradores e trabalhadores".
"Sabemos que, durante a pandemia, a taxa de mortalidade foi de 7,4% nas casas de repouso públicas, enquanto nas casas subsidiadas pelo Estado foi de 21,9%. Isso mostra o fracasso do modelo", afirmaram.
DÁVILA DEFENDE A PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Por sua vez, a Ministra Regional da Família, Juventude e Assuntos Sociais, Ana Dávila, justificou a decisão de construir sob o formato de parceria público-privada como "um modelo bem-sucedido". "É um modelo bem-sucedido que foi implementado em outras ocasiões e tem índices muito altos de satisfação com as famílias", disse ela.
Até o momento, de acordo com o departamento chefiado por Dávila, foram recebidas 85 solicitações de conselhos locais para participar do plano de construção, e o governo regional já está trabalhando no projeto e nas especificações do contrato para a primeira residência e centro de dia, que será localizado no distrito de Las Rosas, no distrito de San Blas-Canillejas, em Madri.
Representantes políticos do PSOE e do Más Madrid também participaram da manifestação para apoiar o pedido de gestão pública das residências. Em nome dos 'socialistas', o porta-voz do Conselho da Cidade, Reyes Maroto, pediu que "sejam fornecidos recursos suficientes para que os residentes tenham os melhores serviços à sua disposição".
"Apresentamos uma proposta ao Plenário do Conselho Municipal de Cibeles, que será debatida na terça-feira, para exigir que não sejam concedidos lotes de terra até que se conheça o modelo residencial que a Comunidade de Madri deseja implementar", disse Maroto, apoiado pela porta-voz do partido na Assembleia de Madri, Mar Espinar, e pelo Secretário para Idosos e Qualidade de Vida, José Ángel Gómez Chamorro.
A deputada do partido, Diana Paredes, que falou em nome do Más Madrid, denunciou "a falta de informações". "Não sabemos com base em quais critérios territoriais a construção dessas residências será baseada, nem nas necessidades dos municípios de Madri", disse ela.
Além disso, a secretária de Políticas Sociais da UGT Madri, Laura Muñoz, enfatizou as condições de trabalho dos operários. "É essencial que elas sejam boas para que os idosos tenham uma qualidade de atendimento adequada e suficiente", concluiu.
As organizações Anistia Internacional Madrid, Av Puerto Chico Aluche, CC.OO. Madrid, CoorpenMadrid COESPE, Ecologistas em Ação, Fravm, Izquierda Unida Madrid, Marea de Residencias, Más Madrid, Podemos C.M., Mayores en acción, Pladigmare, PSOE Madrid, Mats, UGT Madrid, Unión de jubilados y pensionistas UGT Madrid, VV.BB., PP. Madri e 7.291 Verdad y Justicia são os organizadores da manifestação.
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